A campanha começou.
O circo está montado, o espetáculo vai começar.
Os palhaços somos nós. A platéia, a classe política que diverte-se e aplaude nossa atuação.
Quanto mais ingênuas nossas piadas e gestos mais eles riem!
Somos também os animais amestrados, comandos simples, qualquer guloseima e repetimos atos e movimentos amarelados pelo tempo, mas eles se divertem....
Malabarismos são nossa especialidade! Mantemos no ar os pratos de nossa justiça, nossa comida, nossa saúde com muita habilidade. E eles se espantam e se despreocupam com a solidez de seus ganhos que lhes permite assistir e aplaudir não pela admiração, mas pelo alívio ao perceber que balança mas não cai, porque os palhaços não pensam em resistência, em mudança, apenas mantem o equilíbrio salvador, embora insatisfatório .
E as mágicas? São surpreendentes! Eles,da platéia, nos dão material para anos e anos de ilusionismos! Transformam números, reabilitam moribundos, mudam de lugar e de pensamento sem esforços.
Saltamos do trapézio, a cama elástica de nossa paciência nos lança aos ares, nos devolve ao solo meio tontos, meio tortos e eles riem...
Lhes parece que nunca teremos saída. Nossos limites são os da lona em que vivemos, construída por eles e com manutenção garantida pela política do pão e circo que não inclui treinamento independente muito menos raciocínio, apenas permite a obediência aos comandos.
Treinar animais para que mantenham o roteiro, precisa levar em conta e obedecer a padronização desses comandos. Não há animal que obedeça a palavras diferentes das que internalizou como caminho.
E na fumaça cenográfica surge uma nuvem misteriosa que poucos compreendem mas quase todos utilizam. Ela é recheada de palavras e informações de todo teor, toda cor e toda a força que muda os caminhos conhecidos do show e transforma o espetáculo numa espécie de psicodrama público, onde egos auxiliares trazem influências capazes de assustar a platéia como num trem fantasma moderno.
Qual será o número final?
Será que os palhaços vão continuar os mesmos?
Viver de arte prevê inovações.
Inovações preveem reações.
A plateia vai continuar a sorrir e a aplaudir?
Ou há chance de que fique espantada com a arte da palhaçada?
Que o palhaço deixe de ser ladrão de mulher. Furtos roubos e estelionatos deixaram de ser novidade, contaminou a plateia e coloca lágrimas obrigatórias nos olhos do circo.
No picadeiro há mais barulho, os atores querem atenção verdadeira antes que decidam pelo fim do espetáculo. Brigaram tanto por sua realização, podem brigar pelo contrário.
Hoje tem marmelada?
Não mais meu senhor!
Aqui fala-se de tudo um pouco. O nome do blog (explicado no post 1) vem da minha paixão por todo tipo de música, do fado de Amália Rodrigues ao rock do Led Zeppelin! Se quiserem saber mais de mim,visitem os outros blogs: http://pazetal.blogspot.com http://olaclasse.blogspot.com e http://maispatrimm.blogspot.com No Twitter sou @patrimm Sejam bem vindos,participem.
sábado, 7 de julho de 2012
sábado, 30 de junho de 2012
O Fim do Mundo
Dizem as centenas de profecias que andam por aí, que 2012 traria o fim do mundo.
Se não me engano é a 20ª data marcada para nossa extinção.
Nunca dei confiança para isso, afinal, se estiverem certas nada poderíamos fazer, como faríamos para alterar o comportamento alheio eficientemente?
Mas do jeito que a coisa anda, começo a acreditar que confundimos ou interpretamos mal as ideias dos profetas.
Eles falavam em cataclismas e guerras. Víamos isso de forma literal.
Mas pelos últimos acontecimentos, me parece que o fim vem de forma mais sutil. Menos bombástica e mutilante, mas tão agressiva e degradante quanto.
A velha Europa e a jovem América do Norte não conseguiram manter a máscara mercadológica e caem a cada dia mais vertiginosamente. E ainda há quem acredite que já acabou...eu acho que tá só começando.
O Oriente se debate de um lado com o super e de outro com o baixo desenvolvimento de suas regiões.
O Continente Africano... continua lá, com um Egito no meio.
A América Latina convive com Evos e Cristinas, ex bispos depostos e por aí afora.
No Brasil tentam o campeonato aqueles que nunca foram e caem os habituados a vencer.
Procuro de lanterna na mão, um único eleitor 100% satisfeito com os partidos que elegeram, alguns por toda a vida.
Não os encontro.
Devem estar todos atordoados mesmo, porque se você tem lá suas convicções e tenta ser fiel à elas, como poderia aceitar certos malabarismos eleitoreiros?
Como o sujeito, militante aguerrido vai lidar com uma convivência pública pacífica com seus maiores adversários?
Por outro lado, o sistema eleitoral vigente, vem criando estalactites políticos. E nós que reclamamos tanto de coronéis imortais que nem a idade avançada afasta do poder...
As possibilidades de renovação se desfazem no ar e na nossa cara.
Disputas e discussões entre aqueles que há pouco eram "pares" desfilam à nossa frente.
Escolhe-se pela capacidade de divisão de votos entre legendas em troca de apoios pífios ao invés de buscarem propostas reais e consistentes.
Embora essa seja a atitude mais antiga e portanto a causadora dos males que o país enfrenta, desta vez todos, independente de a qual partido pertencem, extrapolaram.
É o fim do mundo
Ou quem sabe, deixamos de fazer das tripas coração e reagimos?
Fiquei feliz ao perceber membros importantes e famosos de alguns partidos, assim como muitos de seus militantes, formigas trabalhadoras e convictas de suas ideologias, expressarem seu desagrado aos quatro ventos. Admiro até aqueles que ao menos se calaram diante de tantos absurdos.
O desabafo de uns, somado ao silêncio dos outros pode criar uma liga, um novo começo onde antes dos interesses pessoais sobressaia o interesse pelo país e sua população.
Ainda temos muito a assistir até as eleições.
Muito dependerá da interpretação que dermos aos fatos, de como vamos absorvê-los.
E aí sim, poderemos chegar a conclusão de se estamos ou não no Fim do Mundo.
Se não me engano é a 20ª data marcada para nossa extinção.
Nunca dei confiança para isso, afinal, se estiverem certas nada poderíamos fazer, como faríamos para alterar o comportamento alheio eficientemente?
Mas do jeito que a coisa anda, começo a acreditar que confundimos ou interpretamos mal as ideias dos profetas.
Eles falavam em cataclismas e guerras. Víamos isso de forma literal.
Mas pelos últimos acontecimentos, me parece que o fim vem de forma mais sutil. Menos bombástica e mutilante, mas tão agressiva e degradante quanto.
A velha Europa e a jovem América do Norte não conseguiram manter a máscara mercadológica e caem a cada dia mais vertiginosamente. E ainda há quem acredite que já acabou...eu acho que tá só começando.
O Oriente se debate de um lado com o super e de outro com o baixo desenvolvimento de suas regiões.
O Continente Africano... continua lá, com um Egito no meio.
A América Latina convive com Evos e Cristinas, ex bispos depostos e por aí afora.
No Brasil tentam o campeonato aqueles que nunca foram e caem os habituados a vencer.
Procuro de lanterna na mão, um único eleitor 100% satisfeito com os partidos que elegeram, alguns por toda a vida.
Não os encontro.
Devem estar todos atordoados mesmo, porque se você tem lá suas convicções e tenta ser fiel à elas, como poderia aceitar certos malabarismos eleitoreiros?
Como o sujeito, militante aguerrido vai lidar com uma convivência pública pacífica com seus maiores adversários?
Por outro lado, o sistema eleitoral vigente, vem criando estalactites políticos. E nós que reclamamos tanto de coronéis imortais que nem a idade avançada afasta do poder...
As possibilidades de renovação se desfazem no ar e na nossa cara.
Disputas e discussões entre aqueles que há pouco eram "pares" desfilam à nossa frente.
Escolhe-se pela capacidade de divisão de votos entre legendas em troca de apoios pífios ao invés de buscarem propostas reais e consistentes.
Embora essa seja a atitude mais antiga e portanto a causadora dos males que o país enfrenta, desta vez todos, independente de a qual partido pertencem, extrapolaram.
É o fim do mundo
Ou quem sabe, deixamos de fazer das tripas coração e reagimos?
Fiquei feliz ao perceber membros importantes e famosos de alguns partidos, assim como muitos de seus militantes, formigas trabalhadoras e convictas de suas ideologias, expressarem seu desagrado aos quatro ventos. Admiro até aqueles que ao menos se calaram diante de tantos absurdos.
O desabafo de uns, somado ao silêncio dos outros pode criar uma liga, um novo começo onde antes dos interesses pessoais sobressaia o interesse pelo país e sua população.
Ainda temos muito a assistir até as eleições.
Muito dependerá da interpretação que dermos aos fatos, de como vamos absorvê-los.
E aí sim, poderemos chegar a conclusão de se estamos ou não no Fim do Mundo.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Promessas
Promessa é dívida lá na minha terra.
Mas, como minha terra faz parte de um país onde promessas e nada são a mesma coisa, vou descumprir a minha de não falar em nada que se refira a política em ano eleitoral.
É que não dá prá ficar calada quando se ouve e lê tanta loucura, dita e escrita em nome do ganho indiscriminado, inconsciente e manipulado de votos.
Liberar médicos do pagamento do financiamento estudantil em troca de prestarem serviços na periferia de São Paulo é um total absurdo!!!!
Médicos (advogados, engenheiros, enfermeiros etc), em todo o país, deveriam ter como condição de formatura a prestação de serviços em regiões pouco privilegiadas. Simples assim.
Dizer que seria possível acordos federação - município em áreas onde são completamente independentes mediante a uniformidade de legendas nas duas instâncias tem cheiro de ... não me lembro a palavra, mas não me soa nem cheira bem.
Dizer que São Paulo não tenta se "espalhar", crescer para a periferia tem 2 situações embutidas:
1 - coisa de quem não conhece a cidade
2 - coisa de quem desconhece totalmente os meandros dessa situação.
Alem do que, não sei onde ou quando ou se a burrice das pessoas, especialmente de nossos políticos contemporâneos (alguns vindos da idade moderna, claro) vai permitir que seus discursos sejam mais positivos e construtivos. Se um dia vão entender que ganhasse eleitores com palavras boas, decentes e verdadeiras e não só com ataques e críticas infundadas aos adversários!
São tão primários, selvagens mesmo que deixam de usar grandes feitos dos quais participaram ativamente porque tiveram continuidade em governos "alheios"
É como se não fossemos ma nação (somos?), mas um bando de vizinhos encrenqueiros.
Deve ser mesmo a tal ignorância de que o budismo fala....
Mas isso é assunto pra outro post e pra outro blog.
Mas, como minha terra faz parte de um país onde promessas e nada são a mesma coisa, vou descumprir a minha de não falar em nada que se refira a política em ano eleitoral.
É que não dá prá ficar calada quando se ouve e lê tanta loucura, dita e escrita em nome do ganho indiscriminado, inconsciente e manipulado de votos.
Liberar médicos do pagamento do financiamento estudantil em troca de prestarem serviços na periferia de São Paulo é um total absurdo!!!!
Médicos (advogados, engenheiros, enfermeiros etc), em todo o país, deveriam ter como condição de formatura a prestação de serviços em regiões pouco privilegiadas. Simples assim.
Dizer que seria possível acordos federação - município em áreas onde são completamente independentes mediante a uniformidade de legendas nas duas instâncias tem cheiro de ... não me lembro a palavra, mas não me soa nem cheira bem.
Dizer que São Paulo não tenta se "espalhar", crescer para a periferia tem 2 situações embutidas:
1 - coisa de quem não conhece a cidade
2 - coisa de quem desconhece totalmente os meandros dessa situação.
Alem do que, não sei onde ou quando ou se a burrice das pessoas, especialmente de nossos políticos contemporâneos (alguns vindos da idade moderna, claro) vai permitir que seus discursos sejam mais positivos e construtivos. Se um dia vão entender que ganhasse eleitores com palavras boas, decentes e verdadeiras e não só com ataques e críticas infundadas aos adversários!
São tão primários, selvagens mesmo que deixam de usar grandes feitos dos quais participaram ativamente porque tiveram continuidade em governos "alheios"
É como se não fossemos ma nação (somos?), mas um bando de vizinhos encrenqueiros.
Deve ser mesmo a tal ignorância de que o budismo fala....
Mas isso é assunto pra outro post e pra outro blog.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
#TodosMentem
Ultimamente tem rolado na TL do Twitter a hastag q diz que um determinado político mente.
Eu olhava para aquilo e me sentia incomodada, então resolvi usar o #TodosMentem .
Não demorou para haver questionamentos. O de um amigo jornalista, a quem admiro muito, dizia que se digo isso, quero dizer que minto também, ou e se quando digo isso estou mentindo sobre o que penso...
Pois é.
Mas eu insisto #TodosMentem
Não tenho procuração nem interesse algum em defender o político indicado pela tag, mas me cansam e irritam muito essas fases pré eleitorais onde as pessoas começam a botar as manguinhas de fora e falar toda ordem de bobagens para chamar a atenção sobre os interesses de seus partidos ou afastar a atenção do eleitorado sobre os bem feitos dos adversários.
Então é assim: mentem os políticos sobre quase tudo. Mentem sobre o que pretendem fazer, de onde virão os recursos, o que farão com eles e ultimamente, antes do início oficial da campanha ate sobre os aliados.
Mentem os eleitores ligados aos partidos, encobrindo tudo que haja de condenável e jogando no ventilador qualquer coisa que encontrem sobre o adversário.
Mentem todos os que gritam que determinados veículos de comunicação tem que morrer. Morrer por quê? Por terem uma venda expressiva? Por terem um posicionamento político diferente e brigarem por ele? Sinto muito, mas aí é uma questão de competência e concorrência empresarial. As outras publicações (e emissoras de TV) que aprendam a desenvolver um trabalho de tanta qualidade (de mercado, de marketing, de venda) para que possam fazer o mesmo....
Mentem todos os candidatos que se dizem como tal em prol das cidades e de seu povo. Não, o são em prol do poder, do status, do dinheiro e depois, no que sobrar de tempo e energia, farão algo pela cidade, mas não só com suas ideias, muitas vezes realizando projetos dos antecessores e nunca sozinhos, mas com a força de trabalho já instalada (mentem tbem qdo assumem como feitos próprios).
E por fim mentimos nós, população que diz ser partidário de uns ou de outros por osmose, ou por desconhecer outros concorrentes ou o mais comum e mais sério, por interesses pessoais.
E a maior mentira de todas é pensar que alguma eleição no país tenha tido o objetivo de pensar nas cidades, nos Estados, na Federação.
Não pensaram, porque se o tivessem feito muita coisa já teria sido resolvida há anos!
Tá vão falar das primeiras diretas. Elas foram sim um marco, mas a sequência....
E isso porque estamos falando só no âmbito político, imagina se falarmos em educação, em religião em moral....
Enfim, minto eu quando imagino ter soluções.
#TodosMentem
Eu olhava para aquilo e me sentia incomodada, então resolvi usar o #TodosMentem .
Não demorou para haver questionamentos. O de um amigo jornalista, a quem admiro muito, dizia que se digo isso, quero dizer que minto também, ou e se quando digo isso estou mentindo sobre o que penso...
Pois é.
Mas eu insisto #TodosMentem
Não tenho procuração nem interesse algum em defender o político indicado pela tag, mas me cansam e irritam muito essas fases pré eleitorais onde as pessoas começam a botar as manguinhas de fora e falar toda ordem de bobagens para chamar a atenção sobre os interesses de seus partidos ou afastar a atenção do eleitorado sobre os bem feitos dos adversários.
Então é assim: mentem os políticos sobre quase tudo. Mentem sobre o que pretendem fazer, de onde virão os recursos, o que farão com eles e ultimamente, antes do início oficial da campanha ate sobre os aliados.
Mentem os eleitores ligados aos partidos, encobrindo tudo que haja de condenável e jogando no ventilador qualquer coisa que encontrem sobre o adversário.
Mentem todos os que gritam que determinados veículos de comunicação tem que morrer. Morrer por quê? Por terem uma venda expressiva? Por terem um posicionamento político diferente e brigarem por ele? Sinto muito, mas aí é uma questão de competência e concorrência empresarial. As outras publicações (e emissoras de TV) que aprendam a desenvolver um trabalho de tanta qualidade (de mercado, de marketing, de venda) para que possam fazer o mesmo....
Mentem todos os candidatos que se dizem como tal em prol das cidades e de seu povo. Não, o são em prol do poder, do status, do dinheiro e depois, no que sobrar de tempo e energia, farão algo pela cidade, mas não só com suas ideias, muitas vezes realizando projetos dos antecessores e nunca sozinhos, mas com a força de trabalho já instalada (mentem tbem qdo assumem como feitos próprios).
E por fim mentimos nós, população que diz ser partidário de uns ou de outros por osmose, ou por desconhecer outros concorrentes ou o mais comum e mais sério, por interesses pessoais.
E a maior mentira de todas é pensar que alguma eleição no país tenha tido o objetivo de pensar nas cidades, nos Estados, na Federação.
Não pensaram, porque se o tivessem feito muita coisa já teria sido resolvida há anos!
Tá vão falar das primeiras diretas. Elas foram sim um marco, mas a sequência....
E isso porque estamos falando só no âmbito político, imagina se falarmos em educação, em religião em moral....
Enfim, minto eu quando imagino ter soluções.
#TodosMentem
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Desisto?
Hoje S.P. teve greve de ônibus e trens.
E lógico (?) houve destruição de coletivos...
Eu já não sei mais o que dizer.
Trabalho (ou ao menos tento) com gestão pública. E a cada dia tenho mais certeza que se este país nunca levanta lá do tal do berço esplêndido, é por culpa da nossa sociedade.
Tá certo que essa sociedade é fruto de uma longa história. mas já estamos velhos e experientes o suficiente para parar e pensar no que estamos fazendo por nós mesmos.
Ando prá todos os lados e só vejo a educação como solução. Porém, enquanto ela não chega, o país tem que andar, aos trancos e barrancos, mas andar. Por que não com menos trancos e barrancos menos íngremes?
Porque isso implica em organização, planejamento e especialmente mudanças...
E essas mudanças, começam na observação (e adoção) de uma dimensão ética mais clara em todos os níveis.
Só assim, nosso olhar para o país passaria a ser mais claro e esclarecedor. Mas como é que se faz isso???
Cada um de nós poderia fazer sua parte, dentro do seu raio de influência. Mas é preciso muita vontade e paciência, porque não há muita chance de respostas positivas.
Nas empresas privadas, ordens são ordens e desrespeitá-las pode levar ao desemprego e cumpri-las "de qualquer jeito" também, assim, inovações e novos métodos são incorporados com alguma facilidade.
No serviço público a coisa é diferente.
Primeiro porque nossa máquina pública é prá lá de inchada.
Segundo, porque viemos de processos complexos de mudanças que começam lá no período colonial, passa por todo o patrimonialismo, a burocracia paralisante até chegarmos às tentativas de adotarmos um modelo gerencial.
Se de um lado a sociedade não compreende que o Estado é apenas o administrador de seus recursos e não seu provedor, grande parte dos servidores públicos não aceitam perder sua aura de intocáveis. A questão da garantia de estabilidade da a alguns a ideia equivocada de que façam o que fizerem são intocáveis...
Temos um problema mais sério ainda: o uso do funcionalismo e mais ainda dos funcionários comissionados (CLT) como moeda de troca do sistema político. Aqueles que caem nessa armadilha, podem sim ter benefícios como maiores salários, mais status profissional, mas passam o resto da vida presos às vontades de seus "padrinhos", portanto, jamais vão contestá-los e nem permitir mudanças que de alguma forma afetem seus interesses.
Ou seja, não há vocação pública.
Uma das poucas soluções possíveis, enquanto a educação de qualidade não chega, seria o aumento da participação popular no controle dos atos públicos.
O problema é que a falta de consciência da maioria da sociedade faz com que não reconheçam isso como um direito que eu diria ser também um dever para qualquer um que reivindica melhorias...
Para completar o caos, não se dão conta que bons serviços públicos são fruto de impostos recolhidos e bem utilizados e banalizam o ato da sonegação fiscal.
E tem também a cegueira total em relação ao foco do serviço público. Confunde-se essa prestação de serviço à sociedade com um jogo de oferta de respostas rápidas aos desejos de políticos ou partidos.
Precisamos de líderes independentes, de gestores públicos com vocação e interesses coletivos genuínos.
De nada adiantará termos uma evolução tecnológica sem evoluirmos como sociedade.
Antes de pensarmos em diminuir as desigualdades sociais (no sentido econômico) precisamos repensar a desigualdade do ponto de vista da cidadania. As duas coisas andam paralelas, mas são independentes...
Ou seja, a situação é um verdadeiro labirinto. Há saídas. Mas há vontade?
O que é que eu faço??
Desisto?
E lógico (?) houve destruição de coletivos...
Eu já não sei mais o que dizer.
Trabalho (ou ao menos tento) com gestão pública. E a cada dia tenho mais certeza que se este país nunca levanta lá do tal do berço esplêndido, é por culpa da nossa sociedade.
Tá certo que essa sociedade é fruto de uma longa história. mas já estamos velhos e experientes o suficiente para parar e pensar no que estamos fazendo por nós mesmos.
Ando prá todos os lados e só vejo a educação como solução. Porém, enquanto ela não chega, o país tem que andar, aos trancos e barrancos, mas andar. Por que não com menos trancos e barrancos menos íngremes?
Porque isso implica em organização, planejamento e especialmente mudanças...
E essas mudanças, começam na observação (e adoção) de uma dimensão ética mais clara em todos os níveis.
Só assim, nosso olhar para o país passaria a ser mais claro e esclarecedor. Mas como é que se faz isso???
Cada um de nós poderia fazer sua parte, dentro do seu raio de influência. Mas é preciso muita vontade e paciência, porque não há muita chance de respostas positivas.
Nas empresas privadas, ordens são ordens e desrespeitá-las pode levar ao desemprego e cumpri-las "de qualquer jeito" também, assim, inovações e novos métodos são incorporados com alguma facilidade.
No serviço público a coisa é diferente.
Primeiro porque nossa máquina pública é prá lá de inchada.
Segundo, porque viemos de processos complexos de mudanças que começam lá no período colonial, passa por todo o patrimonialismo, a burocracia paralisante até chegarmos às tentativas de adotarmos um modelo gerencial.
Se de um lado a sociedade não compreende que o Estado é apenas o administrador de seus recursos e não seu provedor, grande parte dos servidores públicos não aceitam perder sua aura de intocáveis. A questão da garantia de estabilidade da a alguns a ideia equivocada de que façam o que fizerem são intocáveis...
Temos um problema mais sério ainda: o uso do funcionalismo e mais ainda dos funcionários comissionados (CLT) como moeda de troca do sistema político. Aqueles que caem nessa armadilha, podem sim ter benefícios como maiores salários, mais status profissional, mas passam o resto da vida presos às vontades de seus "padrinhos", portanto, jamais vão contestá-los e nem permitir mudanças que de alguma forma afetem seus interesses.
Ou seja, não há vocação pública.
Uma das poucas soluções possíveis, enquanto a educação de qualidade não chega, seria o aumento da participação popular no controle dos atos públicos.
O problema é que a falta de consciência da maioria da sociedade faz com que não reconheçam isso como um direito que eu diria ser também um dever para qualquer um que reivindica melhorias...
Para completar o caos, não se dão conta que bons serviços públicos são fruto de impostos recolhidos e bem utilizados e banalizam o ato da sonegação fiscal.
E tem também a cegueira total em relação ao foco do serviço público. Confunde-se essa prestação de serviço à sociedade com um jogo de oferta de respostas rápidas aos desejos de políticos ou partidos.
Precisamos de líderes independentes, de gestores públicos com vocação e interesses coletivos genuínos.
De nada adiantará termos uma evolução tecnológica sem evoluirmos como sociedade.
Antes de pensarmos em diminuir as desigualdades sociais (no sentido econômico) precisamos repensar a desigualdade do ponto de vista da cidadania. As duas coisas andam paralelas, mas são independentes...
Ou seja, a situação é um verdadeiro labirinto. Há saídas. Mas há vontade?
O que é que eu faço??
Desisto?
sábado, 19 de maio de 2012
Aquarius
Eu tanto não cheguei à era atual que ainda não sei postar vídeos aqui, por isso, pra quem não viu (aqueles que passaram os últimos anos numa caverna), segue aí essa delícia de vídeo.
http://youtu.be/4Cq8qKk2aSM
Hoje cheguei ao Twitter falando da influência da mídia especializada nas atitudes femininas atuais.
E comentei que de uma certa forma ela foi funesta já que alimentou ideias equivocadas como a confusão que se faz entre liberdade e individualismo, entre carinho, cuidado e submissão... e que isso colaborou profundamente com a porcaria de mundo que temos hoje.
Aí leio lá sobre a lendária Era de Aquarius.
Eu não fiquei esperando por ela, já que na época em que todos só falavam nisso eu ainda era muito nova.
Mas me interessava, observava e achava legal.
Mas algo me dizia que aquilo tudo não ia dar certo.
E não deu. Ao menos ainda não.
E não deu porque as pessoas e não só as mulheres e suas revistas confundem tudo mesmo.
Chegamos à Era de Aquário fazendo tudo ao contrário.
Hoje mesmo (19/05/12) vemos na TV em SP a Marcha da Maconha e em Curitiba uma Marcha de evangélicos (acho q Marcha para Jesus).
Nos idos de 73, quando a música ai de cima era sucesso, falava-se em liberdade, em amor livre em paz e harmonia. Assim, como no trecho da letra:
"Harmonia e compreensão
Simpatia e abundante confiança
Nada mais de falsidades ou menosprezos
Vidas de sonhos dourados de visões
Revelação mística de cristal
E a libertação verdadeira da mente" (do site Vagalume.com.br)
Mas, para que pudéssemos ter alcançado isso, tudo teria que ter sido diferente. No fim das contas, ao invés de nos parecermos com a garotada da cena de cabelos longos, roupas coloridas, corpos flutuantes e sorrisos amorosos, ficamos foi a cara dos "burgueses" em seus cavalos de raça!
E claro! Era entre eles que estava o tal do dinheiro e suas consequências nefastas.
Como ter harmonia e compreensão se só o que me interessa é quanto você pode pagar??
Simpatia e confiança? Não dá, porque se sou especialista em ironias jamais vou acreditar em você. E também porque se coloquei você aonde está e você trai suas propostas fica muito difícil confiar ou ter simpatia por você.
Falsidade e menosprezo são a bola da vez.
A falsidade me permite obter o que quero.
O menosprezo, sendo traduzido em bullying ou simples indiferença, são as armas usadas para pisar em quem nos ameaça de alguma maneira.
E finalmente a ideia de que libertação da mente passa pela droga ou pela religião (essa droga gigante).
Uma mente liberta é aquele que se permite sentir.
É a que te permite ouvir a ideia alheia e respeitá-la sem a necessidade de combatê-la usando todo tipo de estratégia.
É conviver e respeitar as convicções religiosas do vizinho sem queimar em fogueiras os que não coadunam com suas ideias.
É ter ideias filosóficas e políticas e TRABALHAR de acordo com elas e não ficar tentando derrubar o opositor sem ações, sem soluções, sem fazer minimamente sua parte.
Hoje, o que vemos é um Jesus Cristo não mais superstar, mas veículo de sacanagens e enriquecimento de seus pastores (evangélicos, católicos, etc e tal).
Pior! Uma multidão insiste que só o cristianismo traz a verdade.
Essa talvez seja a maior mentira de todas e que tenho certeza de que o próprio Jesus refutaria, chutaria as bancas de todos!
A única coisa que traz harmonia e paz é o amor.
O amor real, que implica em respeito, em colaboração, em atitudes benéficas e pacíficas.
Tá, vou ser malhada de todos os lados por este texto. Já estou acostumada.
De um lado estarão os supostamente ofendidos, de outro os que em geral me classificam de ingênua, de sonhadora e até de burra.
Esses, acreditam que a única coisa válida é a capacidade de tecer longos discursos filosóficos, ideológicos.
Eu não me importo, já me acostumei.
Não que eu não escorregue muitas vezes! Claro que acontece, afinal estou cercada pelo mundo e pelas pessoas reais.
E elas, não acreditam em amor e compreensão. Um pisão no calo e se transformam em monstros...
Quanto à mente liberta, sinto muito, mas aquelas drogas que alteram sua consciência não te libertarão, prenderão á consciência desvirtuada, com cores suaves que em algum tempo se transformarão em pesadelo.
Dá prá olhar as pessoas como o que elas são? Apenas pessoas?
Dá prá parar, pensar e agir como pessoa e não como joguete nas mãos de ideias alheias?
Dá prá vocês descerem de seus pedestais de areia e mergulhar nas águas purificadoras da nova era?
Tentem, por favor, porque os tempos mudam e somos nós que construimos a vida.
Eu tanto não cheguei à era atual que ainda não sei postar vídeos aqui, por isso, pra quem não viu (aqueles que passaram os últimos anos numa caverna), segue aí essa delícia de vídeo.
http://youtu.be/4Cq8qKk2aSM
E comentei que de uma certa forma ela foi funesta já que alimentou ideias equivocadas como a confusão que se faz entre liberdade e individualismo, entre carinho, cuidado e submissão... e que isso colaborou profundamente com a porcaria de mundo que temos hoje.
Aí leio lá sobre a lendária Era de Aquarius.
Eu não fiquei esperando por ela, já que na época em que todos só falavam nisso eu ainda era muito nova.
Mas me interessava, observava e achava legal.
Mas algo me dizia que aquilo tudo não ia dar certo.
E não deu. Ao menos ainda não.
E não deu porque as pessoas e não só as mulheres e suas revistas confundem tudo mesmo.
Chegamos à Era de Aquário fazendo tudo ao contrário.
Hoje mesmo (19/05/12) vemos na TV em SP a Marcha da Maconha e em Curitiba uma Marcha de evangélicos (acho q Marcha para Jesus).
Nos idos de 73, quando a música ai de cima era sucesso, falava-se em liberdade, em amor livre em paz e harmonia. Assim, como no trecho da letra:
"Harmonia e compreensão
Simpatia e abundante confiança
Nada mais de falsidades ou menosprezos
Vidas de sonhos dourados de visões
Revelação mística de cristal
E a libertação verdadeira da mente" (do site Vagalume.com.br)
Mas, para que pudéssemos ter alcançado isso, tudo teria que ter sido diferente. No fim das contas, ao invés de nos parecermos com a garotada da cena de cabelos longos, roupas coloridas, corpos flutuantes e sorrisos amorosos, ficamos foi a cara dos "burgueses" em seus cavalos de raça!
E claro! Era entre eles que estava o tal do dinheiro e suas consequências nefastas.
Como ter harmonia e compreensão se só o que me interessa é quanto você pode pagar??
Simpatia e confiança? Não dá, porque se sou especialista em ironias jamais vou acreditar em você. E também porque se coloquei você aonde está e você trai suas propostas fica muito difícil confiar ou ter simpatia por você.
Falsidade e menosprezo são a bola da vez.
A falsidade me permite obter o que quero.
O menosprezo, sendo traduzido em bullying ou simples indiferença, são as armas usadas para pisar em quem nos ameaça de alguma maneira.
E finalmente a ideia de que libertação da mente passa pela droga ou pela religião (essa droga gigante).
Uma mente liberta é aquele que se permite sentir.
É a que te permite ouvir a ideia alheia e respeitá-la sem a necessidade de combatê-la usando todo tipo de estratégia.
É conviver e respeitar as convicções religiosas do vizinho sem queimar em fogueiras os que não coadunam com suas ideias.
É ter ideias filosóficas e políticas e TRABALHAR de acordo com elas e não ficar tentando derrubar o opositor sem ações, sem soluções, sem fazer minimamente sua parte.
Hoje, o que vemos é um Jesus Cristo não mais superstar, mas veículo de sacanagens e enriquecimento de seus pastores (evangélicos, católicos, etc e tal).
Pior! Uma multidão insiste que só o cristianismo traz a verdade.
Essa talvez seja a maior mentira de todas e que tenho certeza de que o próprio Jesus refutaria, chutaria as bancas de todos!
A única coisa que traz harmonia e paz é o amor.
O amor real, que implica em respeito, em colaboração, em atitudes benéficas e pacíficas.
Tá, vou ser malhada de todos os lados por este texto. Já estou acostumada.
De um lado estarão os supostamente ofendidos, de outro os que em geral me classificam de ingênua, de sonhadora e até de burra.
Esses, acreditam que a única coisa válida é a capacidade de tecer longos discursos filosóficos, ideológicos.
Eu não me importo, já me acostumei.
Não que eu não escorregue muitas vezes! Claro que acontece, afinal estou cercada pelo mundo e pelas pessoas reais.
E elas, não acreditam em amor e compreensão. Um pisão no calo e se transformam em monstros...
Quanto à mente liberta, sinto muito, mas aquelas drogas que alteram sua consciência não te libertarão, prenderão á consciência desvirtuada, com cores suaves que em algum tempo se transformarão em pesadelo.
Dá prá olhar as pessoas como o que elas são? Apenas pessoas?
Dá prá parar, pensar e agir como pessoa e não como joguete nas mãos de ideias alheias?
Dá prá vocês descerem de seus pedestais de areia e mergulhar nas águas purificadoras da nova era?
Tentem, por favor, porque os tempos mudam e somos nós que construimos a vida.
sábado, 5 de maio de 2012
O que fazer?
Muitos de vocês sabem que sou funcionária pública.
Entrei nessa pelas mãos de minha mãe que insistia que este era um ótimo caminho para mulheres pela possibilidade de criar filhos com mais facilidades (poder licenciar-se e coisa e tal), pela segurança e por ter salário certo em dia certo. Especialmente para mulheres como eu que pretendiam estudar.
Pode parecer estranho para alguns, mas naquele tempo, mocinhas de 18 anos obedeciam às mães. E foi o que fiz. Prestei o concurso, passei e cá estou.
Reclamei a vida toda das más condições de trabalho, dos baixíssimos salários e de muitas outras coisas. A resposta mais comum (e correta ) era: Pede exoneração!
Não pedi, porque enquanto fazia a faculdade só posso agradecer ao serviço público que me permitia faltar em dias de provas, para fazer estágios (fiz absolutamente todos os possíveis) e dava brechas quando os 3 filhos adoeciam.
Tentei me afastar depois de formada por duas vezes. Consultório bombando, tirei licença sem vencimentos por 4 anos. até ser atropelada como o resto do país pelos planos econômicos, o confisco da poupança, que fizeram com que os pacientes desaparecessem por 4, 5 meses. Só que as despesas não desapareceram e aí.... Voltei pro colo do serviço público.
Mas tudo isso que escrevi até agora é só pra vocês não começarem a me encher o saco como todos tem o hábito de fazer com funcionários públicos. Quis dizer que tive motivos para estar lá. Aos que vão me encher o saco digo o seguinte: Prestem concurso!
Mas a questão é que sempre tive um senso de cumprir com meus deveres e fiz isso em cada um dos meus 32 anos de casa.
Nos anos 80 (começo), paralelamente ao serviço público, me envolvi em programas de qualidade que despontavam naquela época mundo a fora.
Foi inevitável que eu migrasse para os mesmos programas no serviço público isso lá em 92.
É tudo muito diferente claro. No princípio, os envolvidos eram autoridades, gente com cargos elevados, eu só estava lá pela experiência que tinha lá fora, no mundo dos normais "privados". Implantou-se uma coisinha aqui e outra ali, mas só anos depois a coisa pegou de verdade.
Nos anos 2000, foram dezenas de treinamentos e tentativas de mudanças de gestão. Nosso maior problema sempre é e será a mudança de governo a cada 4 anos. Cada gênio que assume o governo acha que tem que mudar tudo, interrompe projetos e etc..
Mas a culpa disso é dos próprios funcionários que não assumem sua condição de verdadeiros maquinistas desse trem desgovernado. Entregaram seu poder em troca de favores políticos, de cargos mais altos de contratos comissionados para familiares e amigos.
Todo esse meu mal humor de hoje também tem justificativa. Estou passando por um período de adaptações em um programa de qualidade que inclui uma certificação de ISO 9001. Decidi (e consegui depois de muita luta) liberar alguns funcionários das funções que deveriam exercer ou pelo seu total desânimo ou por estarem a beira da aposentadoria. A ideia era colocar em seus lugares gente ou mais jovem ou mais interessada.
Fui atrás daqueles a quem eu conhecia o trabalho e a competência ou daqueles de quem tive boas referências.
Foi uma decepção em quase 100% dos casos!
A história é sempre a mesma:: já fiz muito (eu também, tá?) e me decepcionei ( eu muito mais) porque não sou valorizado por isso ( nunca fui, ao contrário, sou criticada por fazer) e porque tudo se perde com o tempo. É, é verdade.
Porém eu me pergunto: o que eles vão ficar fazendo lá até se aposentarem? Desempenhando o triste papel típico de funcionário público? Aquele papel que autoriza a população a nos ter em péssima conta? Vão apenas cumprir obrigações estritas??
Eu não consigo! Não consigo sentar lá, fazer o que tenho que fazer que é desgastante mas não preenche (com vida, com energia) as 8 horas diárias de trabalho e que não me exige nada alem de um mínimo de conhecimento e outro de tato.
E tem a outra questão: onde ficamos enquanto cidadãos?
Sim, porque somos usuários do serviço público também. Precisamos das melhorias que todos almejam.
Precisamos dar ao serviço público a cara que deveria ter que inclui eficiência, ética, transparência, bom tratamento dos recursos disponíveis e planejamento adequado!
E isso tudo deveria ser feito por nós, funcionários públicos! Nunca como vem acontecendo, com o envolvimento de inúmeros comissionados (eles fazem claro, dependem do fazer para manterem seus empregos) e nem ao bel prazer dos políticos da vez!.
Portanto, é muito fácil reclamar do que nos é oferecido e criticar nossa eficiência quando a maioria de nós, simplesmente "cansa" e entrega os pontos.
Quase tudo no serviço público precisa mudar. Todos sabem quais mudanças devem acontecer.
Porque ninguém faz?
E porque continuamos resmungando cinicamente?
Algum comentário?
Entrei nessa pelas mãos de minha mãe que insistia que este era um ótimo caminho para mulheres pela possibilidade de criar filhos com mais facilidades (poder licenciar-se e coisa e tal), pela segurança e por ter salário certo em dia certo. Especialmente para mulheres como eu que pretendiam estudar.
Pode parecer estranho para alguns, mas naquele tempo, mocinhas de 18 anos obedeciam às mães. E foi o que fiz. Prestei o concurso, passei e cá estou.
Reclamei a vida toda das más condições de trabalho, dos baixíssimos salários e de muitas outras coisas. A resposta mais comum (e correta ) era: Pede exoneração!
Não pedi, porque enquanto fazia a faculdade só posso agradecer ao serviço público que me permitia faltar em dias de provas, para fazer estágios (fiz absolutamente todos os possíveis) e dava brechas quando os 3 filhos adoeciam.
Tentei me afastar depois de formada por duas vezes. Consultório bombando, tirei licença sem vencimentos por 4 anos. até ser atropelada como o resto do país pelos planos econômicos, o confisco da poupança, que fizeram com que os pacientes desaparecessem por 4, 5 meses. Só que as despesas não desapareceram e aí.... Voltei pro colo do serviço público.
Mas tudo isso que escrevi até agora é só pra vocês não começarem a me encher o saco como todos tem o hábito de fazer com funcionários públicos. Quis dizer que tive motivos para estar lá. Aos que vão me encher o saco digo o seguinte: Prestem concurso!
Mas a questão é que sempre tive um senso de cumprir com meus deveres e fiz isso em cada um dos meus 32 anos de casa.
Nos anos 80 (começo), paralelamente ao serviço público, me envolvi em programas de qualidade que despontavam naquela época mundo a fora.
Foi inevitável que eu migrasse para os mesmos programas no serviço público isso lá em 92.
É tudo muito diferente claro. No princípio, os envolvidos eram autoridades, gente com cargos elevados, eu só estava lá pela experiência que tinha lá fora, no mundo dos normais "privados". Implantou-se uma coisinha aqui e outra ali, mas só anos depois a coisa pegou de verdade.
Nos anos 2000, foram dezenas de treinamentos e tentativas de mudanças de gestão. Nosso maior problema sempre é e será a mudança de governo a cada 4 anos. Cada gênio que assume o governo acha que tem que mudar tudo, interrompe projetos e etc..
Mas a culpa disso é dos próprios funcionários que não assumem sua condição de verdadeiros maquinistas desse trem desgovernado. Entregaram seu poder em troca de favores políticos, de cargos mais altos de contratos comissionados para familiares e amigos.
Todo esse meu mal humor de hoje também tem justificativa. Estou passando por um período de adaptações em um programa de qualidade que inclui uma certificação de ISO 9001. Decidi (e consegui depois de muita luta) liberar alguns funcionários das funções que deveriam exercer ou pelo seu total desânimo ou por estarem a beira da aposentadoria. A ideia era colocar em seus lugares gente ou mais jovem ou mais interessada.
Fui atrás daqueles a quem eu conhecia o trabalho e a competência ou daqueles de quem tive boas referências.
Foi uma decepção em quase 100% dos casos!
A história é sempre a mesma:: já fiz muito (eu também, tá?) e me decepcionei ( eu muito mais) porque não sou valorizado por isso ( nunca fui, ao contrário, sou criticada por fazer) e porque tudo se perde com o tempo. É, é verdade.
Porém eu me pergunto: o que eles vão ficar fazendo lá até se aposentarem? Desempenhando o triste papel típico de funcionário público? Aquele papel que autoriza a população a nos ter em péssima conta? Vão apenas cumprir obrigações estritas??
Eu não consigo! Não consigo sentar lá, fazer o que tenho que fazer que é desgastante mas não preenche (com vida, com energia) as 8 horas diárias de trabalho e que não me exige nada alem de um mínimo de conhecimento e outro de tato.
E tem a outra questão: onde ficamos enquanto cidadãos?
Sim, porque somos usuários do serviço público também. Precisamos das melhorias que todos almejam.
Precisamos dar ao serviço público a cara que deveria ter que inclui eficiência, ética, transparência, bom tratamento dos recursos disponíveis e planejamento adequado!
E isso tudo deveria ser feito por nós, funcionários públicos! Nunca como vem acontecendo, com o envolvimento de inúmeros comissionados (eles fazem claro, dependem do fazer para manterem seus empregos) e nem ao bel prazer dos políticos da vez!.
Portanto, é muito fácil reclamar do que nos é oferecido e criticar nossa eficiência quando a maioria de nós, simplesmente "cansa" e entrega os pontos.
Quase tudo no serviço público precisa mudar. Todos sabem quais mudanças devem acontecer.
Porque ninguém faz?
E porque continuamos resmungando cinicamente?
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