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quarta-feira, 13 de março de 2013

Refúgio na PAZ


No último domingo a @maria_fro lá no Twitter me indicou uma matéria sobre Refugiados que seria transmitida pela TV Record feita por 2 jornalistas tuiteiros Gustavo Costa ( @gcosta_jorn  ) e Marco Aurélio Mello ( @maureliomello )  http://r7.com/j9hy

A matéria muito boa e angustiante mostra a vida de refugiados no Brasil. São pessoas vindas do Congo, da Nigéria, de Guine Bissau, Afeganistão, Costa do Marfim, Paquistão, Palestina, ou seja gente de todas as partes do mundo.



Me fizeram lembrar dos chamados "boat people" dos anos 70, aqueles que fugindo das guerras em seus países (Camboja, Vietnã ,Laos) se atiravam ao mar até um pedaço de terra que os abrigasse.

Na matéria os entrevistados se mostram (a maioria) insatisfeitos com a vida que tem por aqui. Um dos entrevistados chega a dizer que veio para o Brasil por "propaganda enganosa" e que não encontrou aqui nada do que esperava, que nunca sentiu-se feliz por aqui.



Foram apresentados casos bem distintos, mas todos muito angustiantes para pessoas como nós, que nunca passamos por algo parecido.

Coisas assim:
- família Colombiana que aqui sente-se mal com o fato de ter que fazer com que os filhos fiquem presos (no quintal), ao invés de brincarem livremente na rua como em seu país e que registra com pesar o fato de que a ONU não considerou o fato de que desejariam viver perto do mar.

- O contador da Costa do Marfim que aqui, precisou trabalhar 12 horas por dia como pedreiro por um salário de R$800,00 que considera insuficientes.



- Uma palestina protesta por não poder trabalhar porque seu bebê não consegue vaga em creches.

-Vimos notícias sobre os cerca de 5 mil haitianos recebidos por nós com vistos humanitários (uma linha extra e justificada de assentamento de refugiados).

- Foi mostrado o trabalho da ONG Arsenal da Esperança que fica aqui do lado, na Hospedaria do Imigrante em uma área de 30 mil metros quadrados, tem 1200 vagas e recebe moradores de rua e estrangeiros, aliás, sua vocação desde as primeiras imigrações para São Paulo (é lá o museu do Imigrante).

- Vimos também uma pequena casa que oferece 15 vagas para mulheres e crianças e que sobrevive de doações.

Muitos dos que apareceram na matéria são vindos de países de imensas riquezas naturais mas que vivem em pobreza absoluta.

Desde o domingo, minha cabeça dá voltas  e me sinto meio esquizoide diante dos sins e nãos que se debatem dentro dela. Há muitos, enormes questionamentos a se fazer.

Há os racionais e os emocionais. Os práticos e os humanitários. Os políticos e os econômicos.

Espero que esta minha tentativa de desabafar, desenrolar os fios das reações possíveis à bela matéria, provoque reações através de comentários que elucidem o que se passa pela cabeça das pessoas.

Vamos lá: refugiados são pessoas que deixam seu país fugindo de guerras,por falta de segurança, pela violência, por conflitos internos, perturbações generalizadas da ordem pública e violação de direitos humanos de toda espécie.

O Brasil desde os anos 90 é considerado um dos países mais avançados no que diz respeito à recepção de refugiados. Acordos entre nosso governo e o ANCUR (Alto Comissariado para Refugiados da ONU), falam em reassentamentos planejados com tarefas a serem executadas pelo estado e com o auxilio de ONGs. Planejamento? No Brasil? Tá.

Com 6 anos de permanência no país como refugiado os estrangeiros recebem visto permanente. Antes disso, o CONARE garante a eles acesso a trabalho, políticas públicas de saúde e educação.   

Os outros países que recebem refugiados, tem uma cota anual para isso. O Brasil não...

Aí começam minhas impressões.

É óbvio que ver o sofrimento alheio dói e muito na minha alma.

Por outro lado, ver os refugiados fazendo reclamações que são feitas diariamente por milhões de brasileiros em todas as regiões do país também me incomoda.

Ao contrário do que veem tentando nos fazer acreditar, o brasileiro continua vivendo em estado de miséria em muitos pontos do país. Estão aí as secas em várias regiões para mostrar. Assim como estão as favelas, as habitações hiper populares espalhadas pelos grandes centros e os salários, que caso alguém não saiba, o mínimo é menor do que os R$ 800, 00 citados lá em cima. Os programas de distribuição de renda criados nos governos FHC Lula e Dilma podem até reduzir a fome e total destruição que a falta absoluta de dinheiro podem trazer, mas não nos fazem menos miseráveis. A aparente ascensão das classes D e E vem do crédito oferecido por empresas privadas (santas Casas Bahia) mas muito em breve acarretarão em aumento cada vez maior do endividamento das famílias. A ex classe média ficou travada entre o aumento do consumo popular (que não lhe atrai) e o consumo de alto luxo (que não consegue alcançar).

Fica uma pergunta: Temos como acolher esses refugiados? Temos como oferecer dignidade?

Temos, uma dignidade mínima igual a de nossos mais pobres e com certeza maior do que a que teriam em seus países.

Há discriminação? Claro que há. Há muitos preconceituosos por aí. Mas com certeza é menor do que encontrariam em outros países. Em São Paulo por exemplo, ninguém estranha mais a presença de africanos e latinos para todos os lados. Eles até já tem pontos de reunião pela cidade. 

O que se pode fazer?

Será que vocês percebem que tudo isso é fruto da degradação moral e (não gosto de usar a palavra) espiritual pela qual passamos?

Não veremos nenhuma dessas tragédias humanas chegarem ao fim, a não ser através de um cataclisma profético que venha nos atingir. Aí acabaríamos todos. Os sofredores reais e a maioria de nós, os hipócritas que nada ou muito pouco fazemos...

A única intervenção realmente insistente que vejo acontecer´são as de organizações como os Médicos Sem Fronteiras, dos Exércitos (como o Brasileiro) que atuam diretamente em campos de refugiados e de algumas igrejas que tem projetos por aí onde em geral além do peixe ensinam a pescar.





Podemos fazer mais? Sim, se abrirmos mão de muitas coisa. E sem esperar grandes resultados.

Grandes resultados dependeriam de uma mudança total de paradigmas. Substituir o ter pelo ser seria um deles. É possível? Duvido muito, infelizmente.

Enquanto gente incompetente profissional e moralmente for detentora de poderes sobre a maioria nada vai acontecer e elas estão espalhadas pelo mundo, são espectros em nossas vidas.

O mestre budista Lama Padma Samten sempre comenta o fato de que coisas boas não viram notícia. O que nos chega são as coisas ruins, mas muita coisa maravilhosa acontece por aí.  Há muita gente de boa vontade no mundo, mas elas não tem voz.

Será que um pequeno trecho do caminho não seria começarmos a enaltecer o que ainda há de bom em alguns seres humanos?

Quem sabe um refúgio na PAZ?

Pensem. E reajam com comentários, por favor!





   

sábado, 9 de março de 2013

Chorar Chorão




"O tempo é rei a vida uma lição
E um dia a gente cresce
e conhece nossa essência e ganha experiência
E aprende o que é raiz, então cria consciência"
Charlie Brown Jr



Chorar Chorão choramos...

Nunca é bom ver gente ainda com muito por fazer, partir assim, tão sem razão.

Nos últimos tempos tenho lido muito sobre a história da música contemporânea e já vinha pensando em escrever algo a respeito da parceria música/drogas.

A morte do líder do Charlie Brown Jr e de milhares de skatistas por aí só me impulsionou.

Estava na dúvida entre um post mais técnico ou um assim, visceral. 

Como sempre o último venceu.

Ver um cara tão capaz de produzir músicas belas e influentes acabar mergulhado nas drogas tem que nos fazer refletir.

Como eu disse, ao ler sobre música, me perguntei o tempo todo como é que as pessoas agem com tanta naturalidade e aceitação quando o assunto são as drogas?

Tim Maia, Lobão, Eric Clapton, Keith Richards, Ozzy Osbourne, Elvis Presley, nosso amado Raul e o agitador cultural Nelson Mota só pra citar alguns... Todos usuários de drogas. Especialmente álcool e maconha. A maioria cocaína e anfetaminas.

Aí, vou ter que aguentar os defensores do álcool e da maconha. Sinto muito, são drogas muito prejudiciais, limitantes e ponto.

Sou careta sim, graças aos deuses. Só que não de forma fácil. Fumo como um dragão mas não chego perto do álcool porque tenho medo. Medo do que ele pode causar em uma pessoa que, se   caiu de cabeça no cigarro, tende a mergulhar no resto também. Então, sou prudente...

Muitos alegarão que bebem (e fumam maconha) "socialmente" prá não ter que "engolir tudo a seco". Ouvi estas desculpas a vida toda em minhas relações pessoais e profissionais. Trabalhei com muitos dependentes durante minha vida, tanto como colega de trabalho como terapeuta deles!

Isto é fuga. Como é fuga o uso de drogas.

O pior de tudo é que, como os que citei aí em cima, muitos se dão bem, enriquecem (são talentosos e batalham pelo que sabem fazer) e isso faz com que a juventude ao redor do mundo não perceba que muitos mais morreram jovens, destroçados, sozinhos.

E sozinhos porque assim eles quiseram.

Basta ver a declaração da ex esposa de Chorão dizendo que fez tudo o que estava ao seu alcance...

A luta das famílias de dependentes em geral é inglória.

Os tratamentos existentes hoje são frágeis, dependem muito do interesse do dependente que na verdade costuma estar tão entregue que não consegue responsabilizar-se por seus atos suicidas.

Eles até podem querer escapar desta tragédia, mas a dependência física, ainda que controlada com os tratamentos, muitas vezes é superada pela dependência emocional.

Não há pontos convergentes o suficiente para que se diga que tal ou qual situação leve alguém a começar a se matar. 

As pesquisas convergem e se contradizem a cada momento. Há fatores genéticos e psicológicos reconhecidos, mas também há os sociológicos.

Temos que fazer alguma coisa.

Os pais precisam parar de fazer de conta que é normal um garoto/a de 14, 15 anos chegar em casa bêbado como um gambá.

Aliás, os pais precisam repensar as drogas todas que utilizam, sejam elas lícitas ou ilícitas....

Entendo perfeitamente a luta anti manicomial. Muitos abusos aconteceram ao longo dos anos em relação a internações indevidas, mas, do jeito que a coisa está, é preciso pensar na possibilidade de internações compulsórias. Atropelar direitos humanos não é internar compulsoriamente um suicida potencial. É deixa-lo por aí em sua roleta russa diária até que o pior aconteça...

Entre os que citei lá em cima, 3 são ingleses nascidos no pós guerra. Tem histórias de vida parecida, começaram por pura "farra", curiosidade e passaram toda sua vida "fora do ar", inconscientes do que se passava ao seu redor. Os 3 admitem isso. Perderam uma prazerosa convivência com os pais, o crescimento dos filhos e até um registro real das boas coisas que o dinheiro proporcionou a eles. Os 3 concordam que é quase um milagre estarem vivos ainda já que perderam dezenas de amigos ao longo de suas vidas. Sim, existem indícios de que alguns organismos podem ter uma resistência maior...Vai arriscar? 

Os brasileiros citados por sua vez, tem histórias de vida diferentes, mas também perderam muita gente querida, muitos parceiros.

De todos os citados, só tenho informação de que Eric Clapton fundou uma clínica de tratamento.

Sinceramente não sei o que poderíamos fazer ou se é possível fazer algo... 

As drogas em geral e o álcool e o fumo em particular são presenças históricas, sempre estiveram por aí. Seu uso indiscriminado é que vem crescendo ao longo dos tempos na medida em que a sociedade se deteriora em vários aspectos.

O que substituiria essas substâncias assassinas?

Consciência? Auto conhecimento? Métodos alternativos de relaxamento ? Amor? Segurança?

Não sei. Talvez formas amplas de auto expressão. Colocar prá fora os sentimentos sem ser criticado por eles, ter respeito e liberdade, ter sucesso mas de forma que isso não te condene a passar a vida solitário em meio às multidões. 

Temos que parar de aplaudir e agir como se fosse algo "divertido". A degradação humana nunca o será.

Mas acredito que o caminho mais importante é o da coragem, coragem de encarar as próprias falhas, a própria fragilidade sem precisar fugir delas... Ter mais motivos para sorrir ao invés de chorar.

Porque senão, vamos passar o resto de nossas vidas chorando Chorão, Elis, Amy, Ledger, Cobain, Hendrix, Joplin, Cazuza, Sid Vicious, Morrison, Keith Moon, W. Houston e milhares de anônimos por aí...

domingo, 24 de fevereiro de 2013

E o Oscar vai para?




Amanhã, 24.02.13 acontece a 85ª cerimônia do Oscar

Há anos o prêmio deixou de ser visto pela maioria como deveria ser. O resultado de um trabalho.

A maioria fica atenta ao desfile de beldades e dos figurinos das atrizes e convidados.

Neste ano, consegui assistir à maioria dos indicados ao melhor filme como não fazia há muitos anos.

Ficaram de fora da minha lista: Indomável Sonhadora, O Lado Bom da Vida e infelizmente o polêmico A Hora mais Escura.

Falar sobre filmes para mim é um prazer. Não tenho conhecimento técnico mas minha paixão por eles não me permite ficar quieta diante da maior premiação.

Neste ano o Brasil ficou fora da concorrência e não foi por menos. O Palhaço é péssimo! O único prazer que o filme nos dá é a participação de Paulo José. O filme é lento sem atrativos para o público e muito menos para a academia.  Uma pena.

Sobre os filmes que vi, nem sei por onde começar....

Vou começar então por "Amor" produção franco austríaca de Michael Haneke que concorre como melhor filme estrangeiro, melhor filme, roteiro, diretor e atriz (Emmanuelle  Riva). 


O filme é denso, a direção cáustica e os atores magníficos (Emmanuelle e Jean-Louis Trintignat).

A estória é aquela de uma grande parte de nós. Quer dizer, o fim dela, aquele que costumamos querer ignorar, a decrepitude, suas consequências sobre os que nos cercam, nossa solidão, a morte, nossa impotência.

O filme, embora meio deprimente é excelente, assim como seus atores. Além disso, para os mais velhos, é sempre bom voltar a ouvir um bom francês!

Provavelmente leva algumas estatuetas. Mas, cá entre nós, não "é um Oscar", é um Palma de Ouro (que já levou!).


Agora vamos a Django Livre


O filme é muito bom. Uma brincadeira de Tarantino! Acredito que agrade aos mais jovens, mas especialmente aos maiores de 40 que acompanharam os western spaghetti dos 60, 70.
A estória do caçador de recompensas e do escravo em busca da liberdade e do reencontro com a esposa é cheia de aventura, cenários e figurinos excelentes.
Os atores são sensacionais. Jamie Foxx, Christoph Waltz formaram uma dupla perfeita e Leonardo Di Caprio mostra maturidade em uma interpretação segura. 


Embora o filme vá levantar críticas sobre o excesso de violência apresentado, temos que considerar que só nos dá a realidade de um tempo onde não havia muito mais a se mostrar.

Mas, para mim, sem dúvida alguma a melhor coisa do filme é a participação relâmpago de Franco Nero, ator italiano herói em tantos westerns que fez Django em 66. 
Resta elogiar a atuação de Samel L. Jackson como o mordomo tenebroso!!






Lincoln




Falar sobre um dos mais importantes presidente dos EUA e sobre a luta pela abolição da escravatura, nos devolve um tema meio desgastado e esquecido, afinal, Obama está lá para constatarmos que os tempos são outros, como sempre deveria ter sido.

O filme é muito bem dirigido, figurino, fotografia, tudo perfeito. Só achei meio longo, cansativo.
Por outro lado, me fez reafirmar minha admiração por Daniel-Day Lewis no papel título e o prazer de ter Sally Field  e Tommy Lee Jones como coadjuvantes em interpretações brilhantes.



Spielberg que nos deu tantas grandes produções cheias de efeitos especiais e grandes paisagens, desta vez mostrou uma estória intimista cheia de diálogos e debates ideológicos.

O filme fez muito sucesso nos EUA e deve levar muitos prêmios.

Os Miseráveis:



Passei anos da minha vida sonhando em is à Brodway assistir a uma bela montagem de Les Miserables, embora eu não goste muito de musicais.
Claro que teatro e cinema são incomparáveis, mas já que não fui à NY, a estréia do filme me atraiu imensamente.
Imagens perfeitos, figurinos incríveis e a surpresa da vez: atores-cantores!

O desempenho de Anne Hathaway deve render-lhe o prêmio de melhor atriz. É merecido, me surpreendeu.



Hug Jackman também atua brilhantemente ao lado de Russel Crowe numa perseguição implaacável.







O tema tão conhecido e incansavelmente debatido em tantos livros, filmes e peças, sempre será atual. A aula de história também é muito boa, mas o filme é muito cansativo. Acredito que funcione mais no teatro.
Porém a produção merece prêmios. A questão é que há tempos não dá pra saber o que se passa na cabeça dos votantes...

As Aventuras de Pi



E eu que havia "pedido permissão" aos meus seguidores no Twitter para não assistir ao filme?

É que não gosto de filmes de aventura, por isso, ia cometer uma grande bobagem!
O filme é imperdível!

Me  apaixonei  por Ang Lee definitivamente desde Broke Back Mountain, sorry,  a mais bela história de amor que o cinema já contou.

As aventuras de Pi é uma estória fascinante sobre a fé  contrapostas à realidade.

Uma narrativa lindíssima sobre os caminhos do crescimento de um garoto indiano( Suray Sharm e Irfan Khan) entre as visões diferentes de seus pais sobre a vida.




Não há o que discutir sobre a beleza das imagens
é tudo bonito demais, fascinante mesmo.





Lee é sempre detalhista e não foi diferente desta vez. 
Como também nos leva sempre a um mergulho profundo sobre nossos sentimentos e nossas certezas.
Desta vez, a nossa atenção se volta para o sentido da vida, sobre o quanto tudo a nossa volta é ou não reflexo de nós mesmos.


De brinde, para quem preferir assistir ao filme como distração, ganhamos um companheiro à altura do Wilson de O Náufrago. Desta vez, com nome e sobrenome: Richard Parker, o tigre. 




Não perca o filme. Vai ganhar vários prêmios merecidíssmos.


Argo


Senhores leitores, descrevi brevemente todas as maravilhas dos outros filmes. Porém, tenho que dizer que o "meu" Oscar vai para Argo!

O filme produzido, dirigido e protagonizado por Ben Affleck é uma delícia. Nos coloca em uma volta ao passado, àqueles filmes dos anos 70 que nos deixavam de respiração suspensa, olhos atentos para não perder nenhum detalhe da trama .

É uma grande sacanagem que Affleck não tenha sido indicado para o prêmio de melhor diretor.

O que mais me atraiu foi o fato de ser uma história real com personagens ainda vivos. O filme conta a história do resgate de funcionários da Embaixada Americana em Teerã em 79. O que surpreende, indigna, incomoda, é constatar que por mais que racionalmente saibamos que nem tudo que nos contam através da mídia é real, nossa "esperteza", nossa clareza de raciocínio sempre poderá ser obnubilada pela astúcia da imprensa e dos jogos dos governos mundo a fora. 



Recomendo o filme 100% especialmente para aqueles que estavam lá, em 79, na frente da TV ou lendo os jornais sobre os fatos ocorridos no Irã. Pensem: do que mais só saberemos depois de muito tempo?

E o Oscar vai para quem mesmo? Nem Deus (Alá, Shiva, Buda, Jesus) sabe, né Pi?











quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

TESTE


TESTANDO TESTANDO TESTANDO

OBRIGADA, POR TER ATENDIDO AO TESTE.

@patrimm

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

NO HABEMUS PAPAM



O mundo acordou com esta notícia: No Habemus Papam

Bento XVI renunciou.

A surpresa vem do fato de que apesar de não ter sido o primeiro a renunciar isso não acontecia há muito tempo.

Renunciaram também: Ponticiano (235), Celestino V (1294) e Gregorio XII (1415).

Joseph Alois Ratzinger é o 265º Papa da Igreja Católica Apostólica Romana. Foi eleito em 19/04/2005 .

O papa alemão assumiu com uma aura de força sucedendo João Paulo II que havia assumido o cargo após a morte de João Paulo I .

O Papado é uma das instituições mais antigas do planeta, além de chefe da Igreja, o Papa também é o Chefe de Estado da Cidade Estado do Vaticano.

É uma rotina de trabalho de 12, 14 horas que incluem serviços religiosos, funções diplomáticas e executivas.

A declaração de Bento XVI diz que a razão da renúncia é a idade avançada e suas consequências.

Sinceramente esperamos que seja esse o motivo.

Bento XVI é um tradicionalista conservador que comprou brigas enormes com conceitos ligados a restrições que interferem nas orientações oferecidas por cientistas como o uso de camisinhas, o uso de células tronco e o aborto em qualquer circunstância.

Também foi um crítico da crise econômica européia.

Em minha opinião, foi Ratzinger quem renunciou. Explico:  O Papa agiu como agiria um executivo competente e consciente de suas limitações. Também mostra equilíbrio diante de um mundo que precisa de líderes em condições de enfrentar as agruras de uma sociedade em franco declínio moral e ético.

O lado Bento, o sacerdote, continuará em sua jornada de orações e opiniões sobre a obediência às escrituras.

A imprensa anuncia que Bento XVI pretende recolher-se a um mosteiro. 

Bento XVI é poliglota, doutor em teologia e foi professor de várias Universidades.  

Sua renúncia, assim, de surpresa, no período mais importante da fé católica traz uma certa pressa em substituí-lo.

O Vaticano já fala em termos um Papa até a Páscoa. Realmente, os católicos sentiriam-se meio estranhos sem um Papa nessa data. Mas não deixa de ser um símbolo de renovação, de renascimento.

Resta a nós, de todas as religiões ou de nenhuma delas, torcermos para que o novo líder do catolicismo romano seja alguém capaz de lidar com as exigências deste mundo meio perdido, sem rumo, onde muito se discute mas pouco se faz.

Para nós brasileiros, é o momento de incluirmos os Cardeais tupiniquins votantes em nossa lista de observados. São eles:

Dom Geraldo Majella Agnello - Arcebispo de Salvador
Dom Claudio Hummes - ex Arcebispo de São Paulo
Dom Odilo Scherer - atual Arcebispo de São Paulo
Dom Raymundo Damasceno Assis - Arcebispo de Aparecida
Dom João Braz de Aviz - Arcebispo de Brasília.

O voto deles é secreto, mas podemos sugerir, dialogar, botar a boca no trombone. Mas tem que ser rápido!

Meus votos de felicidades à Bento XVI e de responsabilidade aos Cardeais votantes.
   

domingo, 27 de janeiro de 2013

Santa Maria e o resto de nós

Preciso iniciar este post dizendo que nossos corações estão unidos aos familiares das vítimas. Foi terrível.



Mas isso é a vida. E nós meros, joguetes.

Joguetes mas petulantes, metidos à besta mesmo. Nunca vamos aprender que não se brinca com a sorte.

E se tem algo que me incomoda é ver que continuamos vivendo à base de reações aos fatos.

 Nunca aprenderemos a prevenir?

As grandes tragédias que vivemos hoje ganharam cores mais fortes graças às novas tecnologias que permitem, como neste caso, que momentos antes ou durante os fatos sejam enviados ao mundo em segundos.

Isto deveria nos alertar ainda mais para a única coisa que em muitos casos poderia nos ajudar: abandonar nossa hipocrisia.

Somos hipócritas quando ficamos por aí alardeando nossas opiniões sobre fatos como esse que aconteceu no Rio Grande do Sul nessa madrugada, buscando culpados e fazendo acusações, porém, aceitamos (quando não o fazemos) que um dinheirinho para molhar a mão da fiscalização não é um mal tão  grande assim. Somos especiais! Nada vai acontecer no nosso estabelecimento, no nosso edifício ou com nosso carro sem pneu. E os caras são corruptos mesmo! É um horror.

No caso de Santa Maria, ainda haverá muita investigação, muitos depoimentos até que se consiga dar alguma "satisfação" às vítimas.

Mas o resumo da história todos conhecemos. Ele acontece no país inteiro o tempo todo desde muito tempo.

São edificações e negócios que funcionam sem fiscalização das normas mínimas de segurança, funcionários sem treinamento para lidar com emergências e especialmente uma população que nunca teve governantes interessados em prepara-la para situações assim, afinal, nós, os especiais, jamais passaríamos por isso.

Imaginem se nos  países que vivem em alerta permanente contra furacões, terremotos ou vulcões, não houvesse um preparo da população local.

Acontece, que incêndios, alagamentos, desabamentos são mais possíveis do que tragédias naturais.

Novamente digo que nossa legislação precisa ser alterada, modernizada e cumprida! 

Nossa população precisa aprender que viver no país do carnaval e do futebol, aparecer na mídia como o país que dá certo em meio ao caos mundial, só funciona diante da hipocrisia e da idiotia geral. Contra a vida, aquela da qual somos joguetes, de nada adianta.

E o cumprimento da Lei, a extinção dos corruptos (tá, diminuição) e a construção de uma vida minimamente segura está em nossas mãos.

Isso começa na educação, passa pelo voto, mas só se sedimenta mediante mudanças éticas individuais capazes de proliferar, contaminar o coletivo.



Santa Maria, Rio Grande do Sul, estaremos vibrando positivamente, cada um ao seu modo por vocês..    

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

De qualquer forma, é São Paulo

Mais um aniversário de São Paulo.



Uma das maiores e mais ricas cidades do mundo, é um caldeirão cultural.

Dos imigrantes europeus e asiáticos aos migrantes nordestinos e de todo o país, todos convivem, alteram e aproveitam o que a cidade oferece.

E se comparada a outros lugares ela oferece muito. Trabalho, educação, estruturas básicas e diversão.

Vocês já me viram reclamando e muito de São Paulo.

Mas é claro que respeito muito a cidade natal de meus filhos e para a qual trabalho há tanto tempo.

O problema por aqui é o mesmo de tudo o que se passa no país.  Vende-se uma imagem de superioridade, de facilidades e de riquezas, mas a realidade da maioria da população é muito diferente.

São Paulo tem uma infinidade de restaurantes, cinemas teatros... mas quem pode frequentá-los?

Há trabalho, mas concentrado em algumas regiões quase sempre distante justamente daqueles que dependem de transporte público, que ao contrário do que dizem não é ruim, mas sim insuficiente.

Os bons salários também não chegam a grande maioria. São altos para os que sempre os tiveram.

Há os que dirão que qualquer um aqui tem um carro (vide os congestionamentos). É tem mesmo, impulsionados pela recente facilidade de crédito e esfolados pelo longo período de duração da dívida.  

A saúde também é só um pouco melhor do que em outras regiões. Educação idem. Existem inúmeras instituições de ensino superior, mas quantas delas cumprem seu papel?

Estamos no início de uma nova gestão. As expectativas se renovam. 

Mas a população que aqui está, precisa ficar atenta, participar, cobrar, reivindicar para que as coisas se ajeitem para todos.

Não adianta esperar que alguém o faça por nós. Temos que justificar nossa fama de empreendedores, de gente forte que conduz e não é conduzida.

De qualquer forma, se buscarmos pelas histórias de vida dos que aqui nasceram ou dos que aqui recomeçaram suas vidas, teremos relatos de amor por esse pedaço de terra tupiniquim revisitado, reformulado.

De qualquer forma teremos o Ibirapuera, a Paulista, os shoppings, a pizza, a 25....

De qualquer forma, devemos desejar sorte à cidade.

Parabéns São Paulo 

Afinal, de qualquer forma, é São Paulo.