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terça-feira, 2 de abril de 2013

Decepções







Pois é...

Publicar artigos tem vantagens e desvantagens.

As desvantagens estão sendo demonstradas com o patrulhamento de blogs por aí.

As vantagens se relacionam a tornar nossas opiniões eternas e nos permitir revê-las descobrindo o quanto somos crédulos...

Passeando pelo site do Konvênios ( http://www.konvenios.com.br/Index.aspx ) encontrei um artigo meu, publicado em 29/10/11, intitulado Implantação de Sistemas de Gestão por Processo em Organizações Públicas.

Naquela época, já estávamos há 2 anos em um processo de adaptação das rotinas de trabalho à Norma ISO 9001.

Foi um período de muito trabalho, inúmeros treinamentos aos servidores, uma luta diária na quebra de preconceitos e temores infundados dos servidores.

Nossa maior batalha com certeza foi levar o conhecimento de práticas de gestão padronizadas a uma força de trabalho desacostumada com termos e ideias organizacionais ainda mais comuns na iniciativa privada.

Aproximar a execução de serviços públicos do estilo privado causa temores de que isso se estenda a outras características únicas do funcionalismo, especialmente aquelas relacionadas a estabilidade e formas de ascenção profissional.

Por outro lado, nos traz instrumentos mais que perfeitos para garantir uniformidade no atendimento e garantia de conquistas trabalhistas. Mas, infelizmente, a maior parte dos funcionários não percebe e pior, não acredita nisto.

Um dos maiores problemas do serviço público para levar adiante projetos de longo prazo é o processo eleitoral. A cada mudança de governo, tudo muda junto, planos são abandonados, modificados, enfim, interrompidos mesmo que temporariamente o que causa uma queda na motivação e na dedicação a sua execução.

Com tantos anos de serviço público, é óbvio que sou pessimista quanto a isto. Já vi acontecer muitas vezes.
Por outro lado, ainda mantinha um otimismo crônico que me levava a uma dedicação intensa a este processo.

Todos sabem que programas de mudanças estratégicas dependem de uma visão sistêmica do processo e do envolvimento de todos os atores do projeto.

Lamentavelmente, por aqui, o processo foi interrompido com a nova gestão. Eu não esperava isso já que o nosso novo prefeito é um catedrático, jovem e dinâmico. Mas, aconteceu. Ainda é cedo para sabermos o que vem pela frente. Mas lamento pela perda de um trabalho de tanta dedicação de tanta gente.

O artigo de que falei é este: 


Publicado em 29/10/2011

Mudanças causam stress.
Mudanças no ambiente de trabalho causam stress maior ainda.
Imaginem em organizações públicas, onde a estabilidade e os procedimentos padronizados pela legislação sempre foram inquestionáveis!
Mas não há mais volta.
As organizações públicas estão convivendo com um furacão de mudanças desde 2005 com a instituição do GESPÚBLICA .
Conceitos baseados em planejamento estratégico, gerenciamento de processos e desenvolvimento de pessoal, vem sendo adotados e com certeza vão mudar “ a cara” do serviço público, diminuindo sua tendência burocrática estagnante.
A alegações contra a aplicação desses conceitos partem do princípio de que a legislação causa entraves a algumas ações. Pode ser, mas a mudança também inclui alterações na legislação.
Outra dúvida é sobre a adaptação dos servidores públicos aos novos conceitos.
Mas isso é questão de informação e tempo, afinal, ninguém pode ser contrário à melhoria nas rotinas de trabalho e à definição de tarefas.
Entre todas as mudanças, em minha opinião, a mais urgente é criar mecanismos que garantam benefícios e melhorias de toda ordem com base na meritocracia.
E meritocracia aplicada a funcionários de carreira.
Esta medida reduziria em muito os gastos públicos com folha de pagamento e estimularia os servidores a dedicar-se ao auto desenvolvimento.

Patrícia Maria Mendonça

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Greves e serviço público

Greves surgem como grama no mundo da administração pública brasileira.

De norte a sul do país, serviços considerados essenciais são suspensos.

O discurso dos governantes não muda, continuam alegando oferecer valorização. Então por que será que as greves acontecem?

Enquanto isso, a população reage como seria esperado de quem tem serviços essenciais suspensos: com revolta, indignação. Mesmo porque, alguns dos governantes que vem à mídia para falar a respeito foram eleitos por eles, então, supõe-se que haja uma relação de confiança.

Nenhum de nós, em sã consciência concorda com a suspensão de serviços essenciais, mas será que todos tem a ideia da importância de se observar com cuidado essa relação de custo benefício que está envolvida na situação?

Sim, acho que todos concordam que para a realização de trabalhos indispensáveis ao bom andamento da vida nas cidades é necessário que os trabalhadores que os executam estejam minimamente satisfeitos com as condições de trabalho e remuneração que lhes são oferecidas.

E eles não estão. Os salários são baixos, aumentos reais são substituídos por gratificações e incentivos temporários. A valorização profissional/pessoal, o bom clima organizacional, os planos de carreira existem, no papel.  A relação com a população é extremamente prejudicada pelas notícias de funcionários públicos corruptos ganhando milhões em falcatruas ou por herança genética país à fora, como se fossemos uma monarquia ou coisa assim.

Já que acreditam nas declarações de seus eleitos, a população deveria inteirar-se mais sobre o que é feito nas estruturas públicas em relação àqueles que como costumo dizer, "carregam o piano". Sim, porque uma cidade não se sustenta apenas com seus políticos, seus médicos, professores, procuradores.... Ela precisa imensamente de coveiros, escriturários, faxineiros e outros profissionais de nível básico ou médio e até universitários que são praticamente esquecidos num canto.

É tradição no Brasil classificar o funcionário público de preguiçoso, folgado. Isto é visto como certo por grande parte da população. Como também são classificados por muitos como corruptos.

Mas não é bem assim.

Gente folgada e preguiçosa existe em todo lugar. No serviço público isso até já foi mais constante. Porém, as novas gerações de servidores tem outra postura, já que tem outra visão do mundo especialmente do mundo público. Buscam aperfeiçoamento pessoal e profissional e isso reflete e muito em sua atuação.

Quanto aos corruptos, que claro, existem, gostaria muito que a população refletisse sobre um ponto básico: onde há corruptos é pq existem corruptores....

O ser humano é extremamente falho. Os valores da sociedade estão há anos em franca degradação. "Pequenos delitos" como ultrapassar a faixa de pedestres num dia de pressa, pagar uma caixinha para furar uma fila, oferecer pequenos mimos ao fiscal que faz uma visita de rotina esperando que em uma situação irregular ele não os puna, são atitudes que tomam grandes proporções em sua somatória e descambam para a falta de razão quando se cobra um comportamento ético. E assim, todos perdem a noção do certo ou errado, portanto perdem a crítica e a autoridade para cobrar.

A administração pública tem que colocar em prática os conceitos de gestão adotados pelas empresas vitoriosas, bem sucedidas. E tem que fazer isso já e de forma global. Não dá para oferecer um serviço classe A com salários ou ambiente de trabalho classe E, pautado não na meritocracia, mas no famoso QI (quem indica).

Ou a população pensa em colocar na pauta do dia a exigência de uma boa administração, acompanhando isso de perto ou vão passar o resto da vida reclamando da qualidade do serviço ou das paralisações.