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terça-feira, 28 de maio de 2013

Esprit de corps, ideologia e saúde

Tremendo barulho vem sendo feito com a notícia da negociação para contratação de médicos cubanos para trabalharem no Brasil.

Há aplausos e vaias de todos os lados.



O próprio Conselho Federal de Medicina (CFM) entrou com representação  tentando impedir as contratações.

Os que pretendem contratar alegam a falta de médicos no Brasil e a necessidade de atender a todas as regiões do país, dizem confiar na formação dos médicos cubanos e estão apoiados no baixo índice de mortalidade infantil daquele país.

Os contrários duvidam da formação adequada dos médicos cubanos e veem na ideia algo mais voltado a uma sedimentação ideológica do que uma providência de assistência social.

O que prevalece é a discussão sobre o índice de 89% de reprovação desses profissionais no exame de validação do diploma (REVALIDA) em 2012. 

Uns alegam que a prova é completa e adequada, outros que ela foi feita para reprovar.

Na verdade essa briga tem vários pontos a serem observados.

E quem sou eu para discuti-los? 

É, não sou médica embora conviva com muitos deles inclusive formados no exterior, não tenho autoridade pública e entendo muito pouco sobre estratégias de influência ideológica.

Mas, sou brasileira, pago um absurdo de impostos e tenho pleno conhecimento sobre a péssima situação da saúde no país, embora a propaganda governamental tente nos convencer do contrário.

Hoje mesmo fui atrás de 2 medicamentos simples (analgésico e anti-inflamatório) em uma unidade básica de saúde do município e não consegui. Isso porque vivo na maior cidade do país. Imagina o que acontece no interior do Amazonas, de Sergipe, do Pará....



A situação é muito complexa e como sempre, vou dar aqui meus palpites. Quem sabe vocês opinam também e juntos possamos chegar a um acordo que faça os que estão no poder (governantes, médicos, etc) nesta situação tomem decisões que nos beneficiem e não a eles mesmos?

  Quanto ao "esprit de corps" acho natural que os médicos brasileiros sintam-se invadidos com a ideia de contratar estrangeiros. Temos médicos demais no país, eles apenas estão mal distribuídos.

   Não podemos esperar que todo médico tenha aquela dedicação sacerdotal à profissão. A maioria deles funciona como qualquer outro profissional, querem retorno financeiro de seu investimento em anos de estudo. E no Brasil, isso só acontece nos grandes centros onde pediatras de bairro cobram R$400,00 a consulta, dermatologistas R$ 700,00 ou endocrinologistas chegam a R$1.000,00 e não tem vaga na agenda!

É de conhecimento de todos que os convênios médicos pagam pouco mas são uma grande oportunidade de trabalho para recém formados ou aqueles que não herdaram um consultório familiar, e eles estão nos grandes e médios centros....

      O serviço público de saúde paga bem menos do que eles almejam, embora sejam dos maiores salários pagos entre os servidores.

      Há a questão da revalidação dos diplomas dos estrangeiros. Ela é necessária e o grau de dificuldade da prova, concordo, deve ser determinado por quem vai aplicá-la. E isso deve ser igual para qualquer profissional estrangeiro vindo de qualquer universidade, mesmo as consideradas perfeitas.

       Sabemos também que não é à toa que os médicos não querem ir para lugares longínquos ou muito periféricos. Falta estrutura mínima, segurança, dificuldade de deslocamento. Ou seja, falta estrutura pública em diversas áreas além da saúde.

        Não sou eu que vou esgotar o assunto, mas para quem quiser saber mais sobre a distribuição e características dos trabalhadores médicos brasileiros recomendo  a leitura de um super documento do CFM/CREMESP, essencial para começar a entender o caso, vá ao link: 


Também vale uma passagem básica por essas matérias


O outro aspecto da coisa é o ideológico. Se você procurar na net (parece que o CFM ia publicar) o "Regulamento Disciplinar para Médicos Cubanos no Exterior" vai perceber que realmente pode-se pensar na influência ideológica que esses profissionais teriam sobre uma população inculta e abandonada, onde "em terra de cego quem tem um olho é rei" e quem tem um diploma é imperador, um semideus, o que dá as ordens e indica caminhos.

E o que eu sugiro?

Minha opinião não serve de nada, mas continuo pensando o de sempre. 

Temos que começar pela educação, que levaria a escolhas políticas mais conscientes, que afastaria o bando de sacanas que estão no poder desde sempre, que nos impediria de votar em troca de benefícios pessoais ao invés dos coletivos.

Depois é preciso exigir do governo que olhe para as áreas afastadas do país, que cuide da segurança das periferias e que crie planos de carreira com estrutura para que médicos sejam fixados em todas as áreas.

Sou a favor também de projetos como o antigo Projeto Rondon que levava jovens estudantes e recem formados para os rincões do país.

 E copiando as ideias do regulamento cubano, em doses mais leves, criar a obrigatoriedade de atuação em áreas afastadas para médicos formados nas universidades públicas. Uma espécie de agradecimento pela formação recebida.

Também precisamos mexer com a questão das especialidades médicas escolhidas. Precisamos de sanitaristas, clínicos gerais, pediatras, médicos de programa de atenção básica que dê mais importância à diarreia e à nutrição do que ao uso de aparelhos alemães e suecos com nomes e funções sofisticadas e difíceis.




Quanto aos profissionais cubanos,  será que são necessários? Afinal, estariam trabalhando por salários muito aquém dos praticados por aqui ou teriam a mesma remuneração dos brasileiros. 

Qualquer das hipóteses seria justa?? As diferenças culturais não seriam mais um entrave, superável, mas limitante a princípio?

E por fim, novamente a questão da educação: qual a qualidade das nossas faculdades de medicina, que tipo de formação é oferecida?

O que precisamos é assistir ao fim da negligência com a saúde da população de TODO o país. 

Esprit de corps? 

Ideologias? 

E a saúde, onde fica?

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O STF e os Cabelos Brancos

Olá pessoas.



Acredito que os funcionários públicos de todo o país e neste caso especialmente os de São Paulo, vão concordar comigo que precisamos muito dedicar parte de nosso tempo a orações, petições e gritos de socorro ao STF no sentido de analisar com muito cuidado e sob todos os ângulos a situação dos precatórios devidos aos servidores municipais e estaduais.

Incluo aqui não só o ângulo dos direitos trabalhistas, mas o dos direitos humanos.

Vi muitos colegas morrerem sem receber os precatórios e vejo muitos em sérias dificuldades financeiras assistirem à lentidão e à falta de perspectiva quando o assunto é receber esse direito.

Que os valores são altos e trariam desequilíbrios ao orçamento de Estados e Municípios todos sabemos. Mas sabemos também que muita coisa desnecessária dispende valores altíssimos com interesses muitas vezes individuais, promocionais a políticos e partidos.

Enquanto isso, aqueles servidores que vivem de baixos salários, sem mordomias e sem voz, veem a vida passando sem que os devedores vejam neles alvo da atenção necessária.

Pois bem, um dos Ministros do STF parece ter acordado para o absurdo em se fazer pagamentos em 15 anos! 

A imprensa divulgou em veículos de grande circulação, o assunto surgiu em blogs de todos os tamanhos como nos exemplos a seguir: 


http://app.folha.com/m/noticia/253853
http://www.conjur.com.br/2013-mai-15/governador-prefeito-sp-pedem-modulacao-pagamento-precatorios

Por minha vez, opto por uma abordagem menos agressiva, mais sonora e que quem sabe chame a atenção de alguém.

A música que indico a seguir como um hino desviado de nossa situação, se tiver uma palavra compreendida de forma digamos, derivada, fala por nós. 

Então, vamos dar à expressão: "dessa mulher" o sentido de "dívida dos precatórios"   e todos entenderão nosso "estado de espírito". Segue o link, e espero que se vocês concordarem, divulguem. Alguem, de alguma forma tem que nos ouvir e socorrer.

http://www.vagalume.com.br/casuarina/cabelos-brancos.html


sábado, 11 de maio de 2013

Angústias públicas

A situação é angustiante!!



Os funcionários da Prefeitura de São Paulo não dormem e mal respiram desde o dia 1º de Maio, quando foi anunciado pelo prefeito um reajuste esperado desde os tempos de Mário Covas!

Os índices anunciados, na verdade são equivalentes a uns 60 % do que a Prefeitura nos deve neste período, isso sem tocar no assunto precatórios. Mas de qualquer forma traria alívio a todos nós, submetidos a degradantes 0,01% ao ano desde Luiza Erundina.

No dia 2/05 após o anúncio, era visível o estado de apreensão dos servidores. Deveríamos acreditar na palavra do Prefeito e nas do Sindicato?

O aumento viria? Quando?

Os comentários giravam em torno de uma suposta impossibilidade de que o anúncio fosse uma falácia, afinal, o prefeito e seu partido estão de olho nas eleições estaduais. 

Também foi dado muito crédito ao fato de o reajuste ter sido anunciado por vários veículos da mídia, em especial o jornal O Estado de São Paulo e os telejornais da Rede Globo desde a manhã do dia 2. Infelizmente, os dois veículos nada mais disseram, mesmo sendo cobrados nas redes sociais.

O SINDSESP chegou a publicar uma tabela de referência e lá fomos nós fazermos contas intermináveis, com um detalhe: fazíamos uso de índices um pouco menores do que foi anunciado.



Indícios de desconfiança dos gatos escaldados por anos de expectativas frustradas, silêncio da Câmara e imobilidade dos Sindicatos enquanto víamos os salários de professores e médicos subirem a cada ano, os da Câmara subindo escandalosamente e os de altos cargos duplicando, triplicando.

A população, também não faz nada, não nos apoia porque não acredita em nós.

Imaginam que suas necessidades são supridas por vereadores. Estão muito enganados.Deveriam aprender mais sobre o funcionamento da máquina pública. Sem os funcionários de Nível básico e médio, nada do que se propõe ou cria é viável.

Somos nós que "tomamos porrada" dos munícipes diariamente e temos que lidar com a mentalidade arcaica do brasileiro que quando procura o vereador (nem sempre aquele em quem votou, já que geralmente nem lembra) é apenas para satisfazer necessidades pessoais e que em geral são resolvidas de forma habitual, por trâmites normais, embora o mérito da coisa vá para o parlamentar....

A população não está atenta a nada do que se passa. Reclama da burocracia só quando ela o atinge diretamente. Não vê que ela o atingirá sempre coletivamente.

Hoje, 10 dias após o anúncio, uma nota do sindicato diz que ontem (!) assinaram o documento que solicita o projeto e que ele ainda tem que ir para a câmara, passar por 2 votações antes de surtir o efeito que esperamos, salários um pouco mais dignos.

É assustador pensar quanto tempo isso vai levar. Depende agora de boa vontade e agilidade nos trâmites.
Ficamos preocupados. Isso não é norma...

E ao contrário do que pensam a culpa da morosidade não é nossa. 

Recentemente, uma de nossas maiores iniciativas na melhoria na qualidade da gestão pública foi interrompida. Sinceramente, isso é inexplicável. Gestores que interrompem processos de melhoria administrativa e vereadores que se calam a respeito devem ser vistos com muita desconfiança.

Agora só nos resta rezar e pensar que outras eleições importantes (todas são) vem aí.



Tomara que milagrosamente tudo corra tão agilmente como parecem as  ações de nosso prefeito.

De qualquer maneira, este texto é apenas isso: registro de angústias públicas. 



quarta-feira, 10 de abril de 2013

CF 1 - Água Mole em Pedra Dura





Água mole em pedra dura tanto bate até que fura diz o velho ditado.
Talvez tenha chegado a hora de considerarmos essas sabedorias populares no que diz respeito às nossas leis.
Não é possível que continuemos a assistir a vitória da violência sobre a ordem pública e social.
Existem inúmeros pontos onde em minha  opinião as leis do país já não fazem sentido.
A própria Constituição Federal precisa ser substituída. Muito pouco de seu texto vem sendo cumprido e o que vem só nos traz prejuízos.
O Código Penal então sofre de todas as demências senis possíveis e imagináveis.
Hoje, a imprensa deu visibilidade a mais um crime absurdo em São Paulo. Não que eles não ocorram diariamente, só que este caso apareceu na TV.
Um menino, universitário e trabalhador foi morto covardemente por uma besta de 17 anos.
Já sabemos o resultado certo? Nada vai acontecer além de uma temporada de um ano (tempo em que fará 18 anos) as custas do Estado.
Embora a maioridade penal seja um direito fundamental individual, ou seja, uma daquelas "clausulas pétreas" portanto imutáveis na CF, temos que considerar que segundo a mesma legislação, aos 16 o sujeito pode votar.
Eu faria mais (Dizem q Deus sabe o que faz, provavelmente por isto ele não me deu poder algum). abaixaria a idade penal para 14 anos e com a certeza de que em 10 anos nova alteração (pra baixo) seria necessária.


Hoje, um jovem de 14 anos sabe muito bem o que está fazendo. Ele tem muito mais informação, portanto sabe distinguir o certo do errado, o possível do impossível, o moral e o imoral, o ético e o não ético.

Basta observar as conversas deles por aí. A gente fica espantada!
Discorrem com perfeito raciocínio sobre todos os assuntos pontuais do país e da vida, embora limitados por um vocabulário primário e inflamados pelos impulsos juvenis.
Ma este impulso também poderia ser moderado como era antigamente pelos pais, pela sociedade e pelas autoridades.
A certeza da impunidade, a lentidão da justiça e a cada vez mais aparente ineficiência das polícias estão tornando nossas vidas insuportáveis.
O caso de hoje não aconteceu em um bairro periférico e pobre... nem em um local isolado como eram comuns os crimes de antigamente.
Foi ali, no meio de uma rua asfaltada, próxima ao metrô em um bairro central e até muito pouco tempo tranquilo e quase bucólico.
Precisamos decifrar todos os porquês, já que isto parece uma necessidade neurótica de muitos teóricos.
Mas convenhamos, todos conhecemos as causas.
É preciso uma força conjunta da sociedade para intervirmos em cada um dos aspectos que nos levaram a atual situação.
Porém, não da mais para esperar os resultados disto que seriam demorados e graduais.
No momento, a situação é emergencial.
Lamento, mas cabe ao poder público honrar seus altos salários, seu status poderoso e seus mecanismos legais de atuação e... agir.


Dá trabalho? Dá.
Causa polêmicas? Causa.
Mas autoridades existem para mandar e ponto. Pelo menos em situações calamitosas como as que estamos vivendo!
Falar em democracia na hora de legislar ou agir perante os ditames da lei, só faz sentido quando você tem certeza de que a sociedade prima pela ética, repudia a corrupção e cumpre todos os seus deveres.
Este seria o caminho para desfrutarmos de todos os nossos direitos.
Porém, enquanto agirmos como primatas enlouquecidos teremos que implorar a ação firme e eficiente dos instrumentos legais. 
Mas, instrumentos eficazes.
Nossa Constituição e nosso Código Penal já não o são.
Constituinte já! 


terça-feira, 2 de abril de 2013

Decepções







Pois é...

Publicar artigos tem vantagens e desvantagens.

As desvantagens estão sendo demonstradas com o patrulhamento de blogs por aí.

As vantagens se relacionam a tornar nossas opiniões eternas e nos permitir revê-las descobrindo o quanto somos crédulos...

Passeando pelo site do Konvênios ( http://www.konvenios.com.br/Index.aspx ) encontrei um artigo meu, publicado em 29/10/11, intitulado Implantação de Sistemas de Gestão por Processo em Organizações Públicas.

Naquela época, já estávamos há 2 anos em um processo de adaptação das rotinas de trabalho à Norma ISO 9001.

Foi um período de muito trabalho, inúmeros treinamentos aos servidores, uma luta diária na quebra de preconceitos e temores infundados dos servidores.

Nossa maior batalha com certeza foi levar o conhecimento de práticas de gestão padronizadas a uma força de trabalho desacostumada com termos e ideias organizacionais ainda mais comuns na iniciativa privada.

Aproximar a execução de serviços públicos do estilo privado causa temores de que isso se estenda a outras características únicas do funcionalismo, especialmente aquelas relacionadas a estabilidade e formas de ascenção profissional.

Por outro lado, nos traz instrumentos mais que perfeitos para garantir uniformidade no atendimento e garantia de conquistas trabalhistas. Mas, infelizmente, a maior parte dos funcionários não percebe e pior, não acredita nisto.

Um dos maiores problemas do serviço público para levar adiante projetos de longo prazo é o processo eleitoral. A cada mudança de governo, tudo muda junto, planos são abandonados, modificados, enfim, interrompidos mesmo que temporariamente o que causa uma queda na motivação e na dedicação a sua execução.

Com tantos anos de serviço público, é óbvio que sou pessimista quanto a isto. Já vi acontecer muitas vezes.
Por outro lado, ainda mantinha um otimismo crônico que me levava a uma dedicação intensa a este processo.

Todos sabem que programas de mudanças estratégicas dependem de uma visão sistêmica do processo e do envolvimento de todos os atores do projeto.

Lamentavelmente, por aqui, o processo foi interrompido com a nova gestão. Eu não esperava isso já que o nosso novo prefeito é um catedrático, jovem e dinâmico. Mas, aconteceu. Ainda é cedo para sabermos o que vem pela frente. Mas lamento pela perda de um trabalho de tanta dedicação de tanta gente.

O artigo de que falei é este: 


Publicado em 29/10/2011

Mudanças causam stress.
Mudanças no ambiente de trabalho causam stress maior ainda.
Imaginem em organizações públicas, onde a estabilidade e os procedimentos padronizados pela legislação sempre foram inquestionáveis!
Mas não há mais volta.
As organizações públicas estão convivendo com um furacão de mudanças desde 2005 com a instituição do GESPÚBLICA .
Conceitos baseados em planejamento estratégico, gerenciamento de processos e desenvolvimento de pessoal, vem sendo adotados e com certeza vão mudar “ a cara” do serviço público, diminuindo sua tendência burocrática estagnante.
A alegações contra a aplicação desses conceitos partem do princípio de que a legislação causa entraves a algumas ações. Pode ser, mas a mudança também inclui alterações na legislação.
Outra dúvida é sobre a adaptação dos servidores públicos aos novos conceitos.
Mas isso é questão de informação e tempo, afinal, ninguém pode ser contrário à melhoria nas rotinas de trabalho e à definição de tarefas.
Entre todas as mudanças, em minha opinião, a mais urgente é criar mecanismos que garantam benefícios e melhorias de toda ordem com base na meritocracia.
E meritocracia aplicada a funcionários de carreira.
Esta medida reduziria em muito os gastos públicos com folha de pagamento e estimularia os servidores a dedicar-se ao auto desenvolvimento.

Patrícia Maria Mendonça

quarta-feira, 13 de março de 2013

Refúgio na PAZ


No último domingo a @maria_fro lá no Twitter me indicou uma matéria sobre Refugiados que seria transmitida pela TV Record feita por 2 jornalistas tuiteiros Gustavo Costa ( @gcosta_jorn  ) e Marco Aurélio Mello ( @maureliomello )  http://r7.com/j9hy

A matéria muito boa e angustiante mostra a vida de refugiados no Brasil. São pessoas vindas do Congo, da Nigéria, de Guine Bissau, Afeganistão, Costa do Marfim, Paquistão, Palestina, ou seja gente de todas as partes do mundo.



Me fizeram lembrar dos chamados "boat people" dos anos 70, aqueles que fugindo das guerras em seus países (Camboja, Vietnã ,Laos) se atiravam ao mar até um pedaço de terra que os abrigasse.

Na matéria os entrevistados se mostram (a maioria) insatisfeitos com a vida que tem por aqui. Um dos entrevistados chega a dizer que veio para o Brasil por "propaganda enganosa" e que não encontrou aqui nada do que esperava, que nunca sentiu-se feliz por aqui.



Foram apresentados casos bem distintos, mas todos muito angustiantes para pessoas como nós, que nunca passamos por algo parecido.

Coisas assim:
- família Colombiana que aqui sente-se mal com o fato de ter que fazer com que os filhos fiquem presos (no quintal), ao invés de brincarem livremente na rua como em seu país e que registra com pesar o fato de que a ONU não considerou o fato de que desejariam viver perto do mar.

- O contador da Costa do Marfim que aqui, precisou trabalhar 12 horas por dia como pedreiro por um salário de R$800,00 que considera insuficientes.



- Uma palestina protesta por não poder trabalhar porque seu bebê não consegue vaga em creches.

-Vimos notícias sobre os cerca de 5 mil haitianos recebidos por nós com vistos humanitários (uma linha extra e justificada de assentamento de refugiados).

- Foi mostrado o trabalho da ONG Arsenal da Esperança que fica aqui do lado, na Hospedaria do Imigrante em uma área de 30 mil metros quadrados, tem 1200 vagas e recebe moradores de rua e estrangeiros, aliás, sua vocação desde as primeiras imigrações para São Paulo (é lá o museu do Imigrante).

- Vimos também uma pequena casa que oferece 15 vagas para mulheres e crianças e que sobrevive de doações.

Muitos dos que apareceram na matéria são vindos de países de imensas riquezas naturais mas que vivem em pobreza absoluta.

Desde o domingo, minha cabeça dá voltas  e me sinto meio esquizoide diante dos sins e nãos que se debatem dentro dela. Há muitos, enormes questionamentos a se fazer.

Há os racionais e os emocionais. Os práticos e os humanitários. Os políticos e os econômicos.

Espero que esta minha tentativa de desabafar, desenrolar os fios das reações possíveis à bela matéria, provoque reações através de comentários que elucidem o que se passa pela cabeça das pessoas.

Vamos lá: refugiados são pessoas que deixam seu país fugindo de guerras,por falta de segurança, pela violência, por conflitos internos, perturbações generalizadas da ordem pública e violação de direitos humanos de toda espécie.

O Brasil desde os anos 90 é considerado um dos países mais avançados no que diz respeito à recepção de refugiados. Acordos entre nosso governo e o ANCUR (Alto Comissariado para Refugiados da ONU), falam em reassentamentos planejados com tarefas a serem executadas pelo estado e com o auxilio de ONGs. Planejamento? No Brasil? Tá.

Com 6 anos de permanência no país como refugiado os estrangeiros recebem visto permanente. Antes disso, o CONARE garante a eles acesso a trabalho, políticas públicas de saúde e educação.   

Os outros países que recebem refugiados, tem uma cota anual para isso. O Brasil não...

Aí começam minhas impressões.

É óbvio que ver o sofrimento alheio dói e muito na minha alma.

Por outro lado, ver os refugiados fazendo reclamações que são feitas diariamente por milhões de brasileiros em todas as regiões do país também me incomoda.

Ao contrário do que veem tentando nos fazer acreditar, o brasileiro continua vivendo em estado de miséria em muitos pontos do país. Estão aí as secas em várias regiões para mostrar. Assim como estão as favelas, as habitações hiper populares espalhadas pelos grandes centros e os salários, que caso alguém não saiba, o mínimo é menor do que os R$ 800, 00 citados lá em cima. Os programas de distribuição de renda criados nos governos FHC Lula e Dilma podem até reduzir a fome e total destruição que a falta absoluta de dinheiro podem trazer, mas não nos fazem menos miseráveis. A aparente ascensão das classes D e E vem do crédito oferecido por empresas privadas (santas Casas Bahia) mas muito em breve acarretarão em aumento cada vez maior do endividamento das famílias. A ex classe média ficou travada entre o aumento do consumo popular (que não lhe atrai) e o consumo de alto luxo (que não consegue alcançar).

Fica uma pergunta: Temos como acolher esses refugiados? Temos como oferecer dignidade?

Temos, uma dignidade mínima igual a de nossos mais pobres e com certeza maior do que a que teriam em seus países.

Há discriminação? Claro que há. Há muitos preconceituosos por aí. Mas com certeza é menor do que encontrariam em outros países. Em São Paulo por exemplo, ninguém estranha mais a presença de africanos e latinos para todos os lados. Eles até já tem pontos de reunião pela cidade. 

O que se pode fazer?

Será que vocês percebem que tudo isso é fruto da degradação moral e (não gosto de usar a palavra) espiritual pela qual passamos?

Não veremos nenhuma dessas tragédias humanas chegarem ao fim, a não ser através de um cataclisma profético que venha nos atingir. Aí acabaríamos todos. Os sofredores reais e a maioria de nós, os hipócritas que nada ou muito pouco fazemos...

A única intervenção realmente insistente que vejo acontecer´são as de organizações como os Médicos Sem Fronteiras, dos Exércitos (como o Brasileiro) que atuam diretamente em campos de refugiados e de algumas igrejas que tem projetos por aí onde em geral além do peixe ensinam a pescar.





Podemos fazer mais? Sim, se abrirmos mão de muitas coisa. E sem esperar grandes resultados.

Grandes resultados dependeriam de uma mudança total de paradigmas. Substituir o ter pelo ser seria um deles. É possível? Duvido muito, infelizmente.

Enquanto gente incompetente profissional e moralmente for detentora de poderes sobre a maioria nada vai acontecer e elas estão espalhadas pelo mundo, são espectros em nossas vidas.

O mestre budista Lama Padma Samten sempre comenta o fato de que coisas boas não viram notícia. O que nos chega são as coisas ruins, mas muita coisa maravilhosa acontece por aí.  Há muita gente de boa vontade no mundo, mas elas não tem voz.

Será que um pequeno trecho do caminho não seria começarmos a enaltecer o que ainda há de bom em alguns seres humanos?

Quem sabe um refúgio na PAZ?

Pensem. E reajam com comentários, por favor!





   

sábado, 9 de março de 2013

Chorar Chorão




"O tempo é rei a vida uma lição
E um dia a gente cresce
e conhece nossa essência e ganha experiência
E aprende o que é raiz, então cria consciência"
Charlie Brown Jr



Chorar Chorão choramos...

Nunca é bom ver gente ainda com muito por fazer, partir assim, tão sem razão.

Nos últimos tempos tenho lido muito sobre a história da música contemporânea e já vinha pensando em escrever algo a respeito da parceria música/drogas.

A morte do líder do Charlie Brown Jr e de milhares de skatistas por aí só me impulsionou.

Estava na dúvida entre um post mais técnico ou um assim, visceral. 

Como sempre o último venceu.

Ver um cara tão capaz de produzir músicas belas e influentes acabar mergulhado nas drogas tem que nos fazer refletir.

Como eu disse, ao ler sobre música, me perguntei o tempo todo como é que as pessoas agem com tanta naturalidade e aceitação quando o assunto são as drogas?

Tim Maia, Lobão, Eric Clapton, Keith Richards, Ozzy Osbourne, Elvis Presley, nosso amado Raul e o agitador cultural Nelson Mota só pra citar alguns... Todos usuários de drogas. Especialmente álcool e maconha. A maioria cocaína e anfetaminas.

Aí, vou ter que aguentar os defensores do álcool e da maconha. Sinto muito, são drogas muito prejudiciais, limitantes e ponto.

Sou careta sim, graças aos deuses. Só que não de forma fácil. Fumo como um dragão mas não chego perto do álcool porque tenho medo. Medo do que ele pode causar em uma pessoa que, se   caiu de cabeça no cigarro, tende a mergulhar no resto também. Então, sou prudente...

Muitos alegarão que bebem (e fumam maconha) "socialmente" prá não ter que "engolir tudo a seco". Ouvi estas desculpas a vida toda em minhas relações pessoais e profissionais. Trabalhei com muitos dependentes durante minha vida, tanto como colega de trabalho como terapeuta deles!

Isto é fuga. Como é fuga o uso de drogas.

O pior de tudo é que, como os que citei aí em cima, muitos se dão bem, enriquecem (são talentosos e batalham pelo que sabem fazer) e isso faz com que a juventude ao redor do mundo não perceba que muitos mais morreram jovens, destroçados, sozinhos.

E sozinhos porque assim eles quiseram.

Basta ver a declaração da ex esposa de Chorão dizendo que fez tudo o que estava ao seu alcance...

A luta das famílias de dependentes em geral é inglória.

Os tratamentos existentes hoje são frágeis, dependem muito do interesse do dependente que na verdade costuma estar tão entregue que não consegue responsabilizar-se por seus atos suicidas.

Eles até podem querer escapar desta tragédia, mas a dependência física, ainda que controlada com os tratamentos, muitas vezes é superada pela dependência emocional.

Não há pontos convergentes o suficiente para que se diga que tal ou qual situação leve alguém a começar a se matar. 

As pesquisas convergem e se contradizem a cada momento. Há fatores genéticos e psicológicos reconhecidos, mas também há os sociológicos.

Temos que fazer alguma coisa.

Os pais precisam parar de fazer de conta que é normal um garoto/a de 14, 15 anos chegar em casa bêbado como um gambá.

Aliás, os pais precisam repensar as drogas todas que utilizam, sejam elas lícitas ou ilícitas....

Entendo perfeitamente a luta anti manicomial. Muitos abusos aconteceram ao longo dos anos em relação a internações indevidas, mas, do jeito que a coisa está, é preciso pensar na possibilidade de internações compulsórias. Atropelar direitos humanos não é internar compulsoriamente um suicida potencial. É deixa-lo por aí em sua roleta russa diária até que o pior aconteça...

Entre os que citei lá em cima, 3 são ingleses nascidos no pós guerra. Tem histórias de vida parecida, começaram por pura "farra", curiosidade e passaram toda sua vida "fora do ar", inconscientes do que se passava ao seu redor. Os 3 admitem isso. Perderam uma prazerosa convivência com os pais, o crescimento dos filhos e até um registro real das boas coisas que o dinheiro proporcionou a eles. Os 3 concordam que é quase um milagre estarem vivos ainda já que perderam dezenas de amigos ao longo de suas vidas. Sim, existem indícios de que alguns organismos podem ter uma resistência maior...Vai arriscar? 

Os brasileiros citados por sua vez, tem histórias de vida diferentes, mas também perderam muita gente querida, muitos parceiros.

De todos os citados, só tenho informação de que Eric Clapton fundou uma clínica de tratamento.

Sinceramente não sei o que poderíamos fazer ou se é possível fazer algo... 

As drogas em geral e o álcool e o fumo em particular são presenças históricas, sempre estiveram por aí. Seu uso indiscriminado é que vem crescendo ao longo dos tempos na medida em que a sociedade se deteriora em vários aspectos.

O que substituiria essas substâncias assassinas?

Consciência? Auto conhecimento? Métodos alternativos de relaxamento ? Amor? Segurança?

Não sei. Talvez formas amplas de auto expressão. Colocar prá fora os sentimentos sem ser criticado por eles, ter respeito e liberdade, ter sucesso mas de forma que isso não te condene a passar a vida solitário em meio às multidões. 

Temos que parar de aplaudir e agir como se fosse algo "divertido". A degradação humana nunca o será.

Mas acredito que o caminho mais importante é o da coragem, coragem de encarar as próprias falhas, a própria fragilidade sem precisar fugir delas... Ter mais motivos para sorrir ao invés de chorar.

Porque senão, vamos passar o resto de nossas vidas chorando Chorão, Elis, Amy, Ledger, Cobain, Hendrix, Joplin, Cazuza, Sid Vicious, Morrison, Keith Moon, W. Houston e milhares de anônimos por aí...