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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Pare Agora!

É hora de parar!



Não, não estou dizendo para parar com as manifestações, ao contrário. O país viu que funciona, viu também que nossos governantes não estavam preparados para elas.

Falta ainda que  uma boa parcela da população se junte aos manifestantes, justamente aqueles que por ignorância, temem usar seu direito de protestar e desconhecem que em uma democracia o povo deve mandar, o povo deve dizer o que e como quer. Mas eles chegam lá, especialmente se conseguirem evitar os atos descabidos dos vândalos.

O que estou dizendo é que é hora de parar para fazer aquilo que nossos governantes nunca fizeram ou fizeram mal: planejar, planejar de forma estratégica para definirmos quais são nossas prioridades, o que queremos e em que ordem! E ir para as ruas até que todas elas sejam atendidas.



Acredito até que os fatos da semana sejam um prenúncio do fim dos partidos que estão aí e de alguns políticos que insistentemente vem se mantendo no poder sem nada fazer por nós.

Talvez seja finalmente o início da real democracia.

Não deixemos que ninguém fique alheio ao fato de que fomos nós que os elegemos, mas para cuidar do que é de todos não para cuidarem do que é deles.

Será muito difícil definir prioridades porque demoramos demais para acordar e mostrar que não somos idiotas, mas é possível. 

Nossos jovens tem meios para dirigir isso hoje em dia.

Acho importante ainda que as manifestações continuem nas mãos do povo, sem referências a partidos ou a políticos.
Eles não estão impedidos de participar, mas como gente comum, trabalhadores, pagos pelo povo.

E muito cuidado! eles vão infiltrar gente nos movimentos para tentar manipula-lo.



Minha sugestão é uma espécie de plebiscito pelas redes sociais! Uma pesquisa com as pautas mais importantes que seriam elencadas em um ranking que ponto a ponto fosse reivindicado.

Sugestão de pautas?

Vou dar minha opinião, mas digo desde já o que muitos já sabem, minha preferência é sempre pela educação que leva aos meios para buscar melhores meios para chegar a todo o resto.

Pautas de revindicação:

1- Melhoria do ensino  :
- que história é essa de alfabetização no 3º ano? alfabetização é no 1º! 
 -exame de avaliação de professores nacional com posterior trabalho de "conserto"                das falhas encontradas. 
- Escola pública em tempo integral de excelente qualidade.
- Universidades públicas para quem não pode pagar e não o contrário..
- Diretores para dirigir, pedagogos para pensar ensino, professores para ensinar.

2 - Saúde:
- mais hospitais, melhores faculdades de medicina, controle do serviço prestado pela saúde privada, acesso facilitado a exames e medicamentos, tratamento humanizado.
- Saúde pública como prioridade em TODO o país.

3 - Segurança: Começando pelo controle das fronteiras tentar diminuir a entrada de drogas no país, leis mais severas, revisão URGENTÍSSIMA do Código Penal. Polícias mais bem treinadas e equipadas, mais atenção às forças armadas.

4 - Cidades:
- Um grande esforço nacional para pensar as cidades do ponto de vista urbanístico, do uso e ocupação do solo, visando bem estar da população e funcionalidade.

5- Constituição Federal:
- a nossa, virou uma colcha de retalhas, está ultrapassada, precisamos de uma nova mais objetiva, mais enxuta.

6- Mudança do sistema eleitoral 

7 - Mudanças no sistema tributário.

8 Que tal começarem por providências IMEDIATAS quanto às secas do N Ne? Meios existem, qualquer profissional de engenharia ou agronomia, geógrafos e outros tem conhecimento delas...

Mas é preciso saber que nada disso vai resolver de forma isolada. 

É indispensável que nos deem total transparência sobre os gastos públicos, de forma clara, para que todos saibam exatamente onde nosso dinheiro está sendo usado.

Gostaria muito que começassem com os gastos com as copas das confederações e a mundial. Quanto foi previsto? Quanto foi realmente gasto? Qual o lucro dos envolvidos? Pra que servirão as estruturas criadas depois?

Portanto, os meios de controle dos gastos públicos devem ser aperfeiçoados.    

Tem muito mais, estrutura aeroportuária, hidrovias e ferrovias, moradia, reforma agrária, incentivos agrícolas...

Por isso, é preciso sentar, consultar a população (as redes sociais podem ajudar muito) e decidirmos o que queremos.



Então, Pare Agora!

domingo, 16 de junho de 2013

V de Vinagre e Vaia

Passei uma semana de férias no interior e ao voltar encontro São Paulo em guerra.



E uma guerra incomum para os moldes brasileiros pós 64.

O motivo anunciado foi o aumento das passagens do transporte público para 3,20. 

20 centavos que parecem pouco para alguns, mas que pesam no bolso do trabalhador.

Mas foi só uma alegação, um boi de piranha, claro.

É bem provável que a única razão seja a guerra pelas eleições no próximo ano.

Chegam a citar nomes de partidos na estruturação dos protestos. Alguns dizem que certas tribos urbanas foram "contratadas" para a parte mais violenta da coisa.

O que vi por lá (pela TV, os filhos quase me amarraram no pé da mesa quando disse que iria), foram jovens nitidamente de classe média, estudantes, que provavelmente não usam transporte público, mas se o fazem é por comodidade.

Vi policiais perdendo o controle, agindo de forma errada, mas tenho certeza que a maioria dos destemperos foi por excesso de provocação dos manifestantes. Essa molecada não tem limites, todos sabemos.

Por parte do governo do Estado e da cidade, o que ouvimos foram os discursos de sempre, ou seja, nada que ajude.

Os governantes sabem que os 20 centavos nada tem a ver com essa bagunça, mesmo assim, entram na onda dando justificativas do tipo "aumentamos o salário de motoristas e cobradores em 22% ao longo de 3 anos" ou " o custo do transporte municipal é de 6 milhões/ano". Tá.

Aí veio a vaia da década. Em pleno Mané Garrincha, na cidade sede do governo. E há quem diga que as imagens "também mostraram aplausos" . Sim, sempre haverá os mais educados, mais propensos a respeitar autoridades, qualquer autoridade instalada....

A Copa das Confederações, deu visibilidade aos acontecimentos que se espalharam pelo mundo. Brasileiros em vários países se uniram aos da a terra e também protestaram, não mais pelo fantasioso MPL mas por tudo o que estamos vivendo.

É bom que o mundo saiba.

Não somos a "pátria de chuteiras" anunciada. Amamos sim o esporte bretão, tanto quanto somos loucos por um belo carnaval. Muitos de nós se rendem a esses prazeres e chegam a perder o rumo da realidade. 

O advento das redes sociais fez com que as manifestações chegassem aos olhos e ouvidos de todos.Hoje, dificilmente conseguiriam manipular as informações como de costume. Claro que existe uma grande parte da população que não se interessa por nada do que se passa, por ignorância, por falta de educação, por ingenuidade.

Mas é bom que o mundo saiba.

O mundo todo está rolando ladeira a baixo! A economia dos EUA e a Europeia estão em falência total. 

O Brasil, só há muito pouco tempo deixou de ser chamado de país do futuro para ser visto como "emergente", o que dá no mesmo.

Perigosamente, faz-se propaganda de rankings de economia que provavelmente são feitos por analfabetos em matemática ou baseados em informações dadas pelos próprios países incluídos nas listas.

Falam em diminuição da miséria mas não falam do aumento do número de endividados. Falam da Ascenção das classes D e E mas não da falência da classe C.

Falam do aumento de empregos "com carteira assinada" (isso no Brasil significa garantia de direitos trabalhistas), mas não dizem que são subempregos. Há profissionais de nível universitário iniciando carreira a R$ 1000,00.

O trabalho escravo, o contrabando e a sonegação continuam soltos por aí.

Políticos corruptos ou ineficientes ou ainda mais, amorfos, também continuam garantindo seus altos salários sem que nada aconteça.

Talvez os 20 centavos, por serem mais facilmente percebidos por aqueles menos acostumados (ou capacitados) para analisar o que se passa no país e nas próprias vidas, estejam sendo usados para chamar a atenção.

Mas é bom que o mundo saiba, o Brasil não está bem. Os pequenos progressos são anulados por grandes problemas.

Nossos problemas mais antigos continuam todos aí: as secas, as enchentes, a saúde precária, a educação falida, a segurança desaparecida.



E alguém fez ou faz alguma coisa? Não. 

Preferem gastar R$ 900.000.000,00 na a reforma de estádios (Maracanã) quando, como dito acima 6 milhões ano manteriam o transporte público da maior cidade do país...

Imaginem o que esse dinheiro poderia fazer com a seca do nordeste ou a educação, a saúde....

As copas trazem dinheiro ao país em forma de turismo e produtos ou serviços voltados à ela? Mas quanto tempo isso dura? E o que vão fazer com estádios gigantescos depois? Vão trabalhar com a ocupação mínima? Isso é bom? Nos ajuda em algo? Acho que não.

Quanto ao vandalismo nas manifestações, realmente não há justificativa.  Tudo o que foi destruído é pago com nosso dinheiro.

É bom que o mundo saiba, que o país do "jeitinho" tem problemas de DNA. Se muitos não entendem e jamais participariam dos protestos é porque falta entendimento de como uma democracia deveria funcionar.

 Muitos deles estão habituados a corromper agentes públicos, a furar filas, a guardar lugar em praça de alimentação e outras coisas menores ou maiores mas que somadas, dão no que deram: um país ao sabor de interesses pessoais, onde um bolsa isso, bolsa aquilo é visto como um grande benefício sem se considerar os valores recebidos por quem os propõe.

É bom que o mundo saiba: gostaríamos de acenarcom o V da vitória, mas por enquanto só podemos acenar com o V de vinagre e de vaia. 

terça-feira, 28 de maio de 2013

Esprit de corps, ideologia e saúde

Tremendo barulho vem sendo feito com a notícia da negociação para contratação de médicos cubanos para trabalharem no Brasil.

Há aplausos e vaias de todos os lados.



O próprio Conselho Federal de Medicina (CFM) entrou com representação  tentando impedir as contratações.

Os que pretendem contratar alegam a falta de médicos no Brasil e a necessidade de atender a todas as regiões do país, dizem confiar na formação dos médicos cubanos e estão apoiados no baixo índice de mortalidade infantil daquele país.

Os contrários duvidam da formação adequada dos médicos cubanos e veem na ideia algo mais voltado a uma sedimentação ideológica do que uma providência de assistência social.

O que prevalece é a discussão sobre o índice de 89% de reprovação desses profissionais no exame de validação do diploma (REVALIDA) em 2012. 

Uns alegam que a prova é completa e adequada, outros que ela foi feita para reprovar.

Na verdade essa briga tem vários pontos a serem observados.

E quem sou eu para discuti-los? 

É, não sou médica embora conviva com muitos deles inclusive formados no exterior, não tenho autoridade pública e entendo muito pouco sobre estratégias de influência ideológica.

Mas, sou brasileira, pago um absurdo de impostos e tenho pleno conhecimento sobre a péssima situação da saúde no país, embora a propaganda governamental tente nos convencer do contrário.

Hoje mesmo fui atrás de 2 medicamentos simples (analgésico e anti-inflamatório) em uma unidade básica de saúde do município e não consegui. Isso porque vivo na maior cidade do país. Imagina o que acontece no interior do Amazonas, de Sergipe, do Pará....



A situação é muito complexa e como sempre, vou dar aqui meus palpites. Quem sabe vocês opinam também e juntos possamos chegar a um acordo que faça os que estão no poder (governantes, médicos, etc) nesta situação tomem decisões que nos beneficiem e não a eles mesmos?

  Quanto ao "esprit de corps" acho natural que os médicos brasileiros sintam-se invadidos com a ideia de contratar estrangeiros. Temos médicos demais no país, eles apenas estão mal distribuídos.

   Não podemos esperar que todo médico tenha aquela dedicação sacerdotal à profissão. A maioria deles funciona como qualquer outro profissional, querem retorno financeiro de seu investimento em anos de estudo. E no Brasil, isso só acontece nos grandes centros onde pediatras de bairro cobram R$400,00 a consulta, dermatologistas R$ 700,00 ou endocrinologistas chegam a R$1.000,00 e não tem vaga na agenda!

É de conhecimento de todos que os convênios médicos pagam pouco mas são uma grande oportunidade de trabalho para recém formados ou aqueles que não herdaram um consultório familiar, e eles estão nos grandes e médios centros....

      O serviço público de saúde paga bem menos do que eles almejam, embora sejam dos maiores salários pagos entre os servidores.

      Há a questão da revalidação dos diplomas dos estrangeiros. Ela é necessária e o grau de dificuldade da prova, concordo, deve ser determinado por quem vai aplicá-la. E isso deve ser igual para qualquer profissional estrangeiro vindo de qualquer universidade, mesmo as consideradas perfeitas.

       Sabemos também que não é à toa que os médicos não querem ir para lugares longínquos ou muito periféricos. Falta estrutura mínima, segurança, dificuldade de deslocamento. Ou seja, falta estrutura pública em diversas áreas além da saúde.

        Não sou eu que vou esgotar o assunto, mas para quem quiser saber mais sobre a distribuição e características dos trabalhadores médicos brasileiros recomendo  a leitura de um super documento do CFM/CREMESP, essencial para começar a entender o caso, vá ao link: 


Também vale uma passagem básica por essas matérias


O outro aspecto da coisa é o ideológico. Se você procurar na net (parece que o CFM ia publicar) o "Regulamento Disciplinar para Médicos Cubanos no Exterior" vai perceber que realmente pode-se pensar na influência ideológica que esses profissionais teriam sobre uma população inculta e abandonada, onde "em terra de cego quem tem um olho é rei" e quem tem um diploma é imperador, um semideus, o que dá as ordens e indica caminhos.

E o que eu sugiro?

Minha opinião não serve de nada, mas continuo pensando o de sempre. 

Temos que começar pela educação, que levaria a escolhas políticas mais conscientes, que afastaria o bando de sacanas que estão no poder desde sempre, que nos impediria de votar em troca de benefícios pessoais ao invés dos coletivos.

Depois é preciso exigir do governo que olhe para as áreas afastadas do país, que cuide da segurança das periferias e que crie planos de carreira com estrutura para que médicos sejam fixados em todas as áreas.

Sou a favor também de projetos como o antigo Projeto Rondon que levava jovens estudantes e recem formados para os rincões do país.

 E copiando as ideias do regulamento cubano, em doses mais leves, criar a obrigatoriedade de atuação em áreas afastadas para médicos formados nas universidades públicas. Uma espécie de agradecimento pela formação recebida.

Também precisamos mexer com a questão das especialidades médicas escolhidas. Precisamos de sanitaristas, clínicos gerais, pediatras, médicos de programa de atenção básica que dê mais importância à diarreia e à nutrição do que ao uso de aparelhos alemães e suecos com nomes e funções sofisticadas e difíceis.




Quanto aos profissionais cubanos,  será que são necessários? Afinal, estariam trabalhando por salários muito aquém dos praticados por aqui ou teriam a mesma remuneração dos brasileiros. 

Qualquer das hipóteses seria justa?? As diferenças culturais não seriam mais um entrave, superável, mas limitante a princípio?

E por fim, novamente a questão da educação: qual a qualidade das nossas faculdades de medicina, que tipo de formação é oferecida?

O que precisamos é assistir ao fim da negligência com a saúde da população de TODO o país. 

Esprit de corps? 

Ideologias? 

E a saúde, onde fica?

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O STF e os Cabelos Brancos

Olá pessoas.



Acredito que os funcionários públicos de todo o país e neste caso especialmente os de São Paulo, vão concordar comigo que precisamos muito dedicar parte de nosso tempo a orações, petições e gritos de socorro ao STF no sentido de analisar com muito cuidado e sob todos os ângulos a situação dos precatórios devidos aos servidores municipais e estaduais.

Incluo aqui não só o ângulo dos direitos trabalhistas, mas o dos direitos humanos.

Vi muitos colegas morrerem sem receber os precatórios e vejo muitos em sérias dificuldades financeiras assistirem à lentidão e à falta de perspectiva quando o assunto é receber esse direito.

Que os valores são altos e trariam desequilíbrios ao orçamento de Estados e Municípios todos sabemos. Mas sabemos também que muita coisa desnecessária dispende valores altíssimos com interesses muitas vezes individuais, promocionais a políticos e partidos.

Enquanto isso, aqueles servidores que vivem de baixos salários, sem mordomias e sem voz, veem a vida passando sem que os devedores vejam neles alvo da atenção necessária.

Pois bem, um dos Ministros do STF parece ter acordado para o absurdo em se fazer pagamentos em 15 anos! 

A imprensa divulgou em veículos de grande circulação, o assunto surgiu em blogs de todos os tamanhos como nos exemplos a seguir: 


http://app.folha.com/m/noticia/253853
http://www.conjur.com.br/2013-mai-15/governador-prefeito-sp-pedem-modulacao-pagamento-precatorios

Por minha vez, opto por uma abordagem menos agressiva, mais sonora e que quem sabe chame a atenção de alguém.

A música que indico a seguir como um hino desviado de nossa situação, se tiver uma palavra compreendida de forma digamos, derivada, fala por nós. 

Então, vamos dar à expressão: "dessa mulher" o sentido de "dívida dos precatórios"   e todos entenderão nosso "estado de espírito". Segue o link, e espero que se vocês concordarem, divulguem. Alguem, de alguma forma tem que nos ouvir e socorrer.

http://www.vagalume.com.br/casuarina/cabelos-brancos.html


sábado, 11 de maio de 2013

Angústias públicas

A situação é angustiante!!



Os funcionários da Prefeitura de São Paulo não dormem e mal respiram desde o dia 1º de Maio, quando foi anunciado pelo prefeito um reajuste esperado desde os tempos de Mário Covas!

Os índices anunciados, na verdade são equivalentes a uns 60 % do que a Prefeitura nos deve neste período, isso sem tocar no assunto precatórios. Mas de qualquer forma traria alívio a todos nós, submetidos a degradantes 0,01% ao ano desde Luiza Erundina.

No dia 2/05 após o anúncio, era visível o estado de apreensão dos servidores. Deveríamos acreditar na palavra do Prefeito e nas do Sindicato?

O aumento viria? Quando?

Os comentários giravam em torno de uma suposta impossibilidade de que o anúncio fosse uma falácia, afinal, o prefeito e seu partido estão de olho nas eleições estaduais. 

Também foi dado muito crédito ao fato de o reajuste ter sido anunciado por vários veículos da mídia, em especial o jornal O Estado de São Paulo e os telejornais da Rede Globo desde a manhã do dia 2. Infelizmente, os dois veículos nada mais disseram, mesmo sendo cobrados nas redes sociais.

O SINDSESP chegou a publicar uma tabela de referência e lá fomos nós fazermos contas intermináveis, com um detalhe: fazíamos uso de índices um pouco menores do que foi anunciado.



Indícios de desconfiança dos gatos escaldados por anos de expectativas frustradas, silêncio da Câmara e imobilidade dos Sindicatos enquanto víamos os salários de professores e médicos subirem a cada ano, os da Câmara subindo escandalosamente e os de altos cargos duplicando, triplicando.

A população, também não faz nada, não nos apoia porque não acredita em nós.

Imaginam que suas necessidades são supridas por vereadores. Estão muito enganados.Deveriam aprender mais sobre o funcionamento da máquina pública. Sem os funcionários de Nível básico e médio, nada do que se propõe ou cria é viável.

Somos nós que "tomamos porrada" dos munícipes diariamente e temos que lidar com a mentalidade arcaica do brasileiro que quando procura o vereador (nem sempre aquele em quem votou, já que geralmente nem lembra) é apenas para satisfazer necessidades pessoais e que em geral são resolvidas de forma habitual, por trâmites normais, embora o mérito da coisa vá para o parlamentar....

A população não está atenta a nada do que se passa. Reclama da burocracia só quando ela o atinge diretamente. Não vê que ela o atingirá sempre coletivamente.

Hoje, 10 dias após o anúncio, uma nota do sindicato diz que ontem (!) assinaram o documento que solicita o projeto e que ele ainda tem que ir para a câmara, passar por 2 votações antes de surtir o efeito que esperamos, salários um pouco mais dignos.

É assustador pensar quanto tempo isso vai levar. Depende agora de boa vontade e agilidade nos trâmites.
Ficamos preocupados. Isso não é norma...

E ao contrário do que pensam a culpa da morosidade não é nossa. 

Recentemente, uma de nossas maiores iniciativas na melhoria na qualidade da gestão pública foi interrompida. Sinceramente, isso é inexplicável. Gestores que interrompem processos de melhoria administrativa e vereadores que se calam a respeito devem ser vistos com muita desconfiança.

Agora só nos resta rezar e pensar que outras eleições importantes (todas são) vem aí.



Tomara que milagrosamente tudo corra tão agilmente como parecem as  ações de nosso prefeito.

De qualquer maneira, este texto é apenas isso: registro de angústias públicas. 



quarta-feira, 10 de abril de 2013

CF 1 - Água Mole em Pedra Dura





Água mole em pedra dura tanto bate até que fura diz o velho ditado.
Talvez tenha chegado a hora de considerarmos essas sabedorias populares no que diz respeito às nossas leis.
Não é possível que continuemos a assistir a vitória da violência sobre a ordem pública e social.
Existem inúmeros pontos onde em minha  opinião as leis do país já não fazem sentido.
A própria Constituição Federal precisa ser substituída. Muito pouco de seu texto vem sendo cumprido e o que vem só nos traz prejuízos.
O Código Penal então sofre de todas as demências senis possíveis e imagináveis.
Hoje, a imprensa deu visibilidade a mais um crime absurdo em São Paulo. Não que eles não ocorram diariamente, só que este caso apareceu na TV.
Um menino, universitário e trabalhador foi morto covardemente por uma besta de 17 anos.
Já sabemos o resultado certo? Nada vai acontecer além de uma temporada de um ano (tempo em que fará 18 anos) as custas do Estado.
Embora a maioridade penal seja um direito fundamental individual, ou seja, uma daquelas "clausulas pétreas" portanto imutáveis na CF, temos que considerar que segundo a mesma legislação, aos 16 o sujeito pode votar.
Eu faria mais (Dizem q Deus sabe o que faz, provavelmente por isto ele não me deu poder algum). abaixaria a idade penal para 14 anos e com a certeza de que em 10 anos nova alteração (pra baixo) seria necessária.


Hoje, um jovem de 14 anos sabe muito bem o que está fazendo. Ele tem muito mais informação, portanto sabe distinguir o certo do errado, o possível do impossível, o moral e o imoral, o ético e o não ético.

Basta observar as conversas deles por aí. A gente fica espantada!
Discorrem com perfeito raciocínio sobre todos os assuntos pontuais do país e da vida, embora limitados por um vocabulário primário e inflamados pelos impulsos juvenis.
Ma este impulso também poderia ser moderado como era antigamente pelos pais, pela sociedade e pelas autoridades.
A certeza da impunidade, a lentidão da justiça e a cada vez mais aparente ineficiência das polícias estão tornando nossas vidas insuportáveis.
O caso de hoje não aconteceu em um bairro periférico e pobre... nem em um local isolado como eram comuns os crimes de antigamente.
Foi ali, no meio de uma rua asfaltada, próxima ao metrô em um bairro central e até muito pouco tempo tranquilo e quase bucólico.
Precisamos decifrar todos os porquês, já que isto parece uma necessidade neurótica de muitos teóricos.
Mas convenhamos, todos conhecemos as causas.
É preciso uma força conjunta da sociedade para intervirmos em cada um dos aspectos que nos levaram a atual situação.
Porém, não da mais para esperar os resultados disto que seriam demorados e graduais.
No momento, a situação é emergencial.
Lamento, mas cabe ao poder público honrar seus altos salários, seu status poderoso e seus mecanismos legais de atuação e... agir.


Dá trabalho? Dá.
Causa polêmicas? Causa.
Mas autoridades existem para mandar e ponto. Pelo menos em situações calamitosas como as que estamos vivendo!
Falar em democracia na hora de legislar ou agir perante os ditames da lei, só faz sentido quando você tem certeza de que a sociedade prima pela ética, repudia a corrupção e cumpre todos os seus deveres.
Este seria o caminho para desfrutarmos de todos os nossos direitos.
Porém, enquanto agirmos como primatas enlouquecidos teremos que implorar a ação firme e eficiente dos instrumentos legais. 
Mas, instrumentos eficazes.
Nossa Constituição e nosso Código Penal já não o são.
Constituinte já! 


terça-feira, 2 de abril de 2013

Decepções







Pois é...

Publicar artigos tem vantagens e desvantagens.

As desvantagens estão sendo demonstradas com o patrulhamento de blogs por aí.

As vantagens se relacionam a tornar nossas opiniões eternas e nos permitir revê-las descobrindo o quanto somos crédulos...

Passeando pelo site do Konvênios ( http://www.konvenios.com.br/Index.aspx ) encontrei um artigo meu, publicado em 29/10/11, intitulado Implantação de Sistemas de Gestão por Processo em Organizações Públicas.

Naquela época, já estávamos há 2 anos em um processo de adaptação das rotinas de trabalho à Norma ISO 9001.

Foi um período de muito trabalho, inúmeros treinamentos aos servidores, uma luta diária na quebra de preconceitos e temores infundados dos servidores.

Nossa maior batalha com certeza foi levar o conhecimento de práticas de gestão padronizadas a uma força de trabalho desacostumada com termos e ideias organizacionais ainda mais comuns na iniciativa privada.

Aproximar a execução de serviços públicos do estilo privado causa temores de que isso se estenda a outras características únicas do funcionalismo, especialmente aquelas relacionadas a estabilidade e formas de ascenção profissional.

Por outro lado, nos traz instrumentos mais que perfeitos para garantir uniformidade no atendimento e garantia de conquistas trabalhistas. Mas, infelizmente, a maior parte dos funcionários não percebe e pior, não acredita nisto.

Um dos maiores problemas do serviço público para levar adiante projetos de longo prazo é o processo eleitoral. A cada mudança de governo, tudo muda junto, planos são abandonados, modificados, enfim, interrompidos mesmo que temporariamente o que causa uma queda na motivação e na dedicação a sua execução.

Com tantos anos de serviço público, é óbvio que sou pessimista quanto a isto. Já vi acontecer muitas vezes.
Por outro lado, ainda mantinha um otimismo crônico que me levava a uma dedicação intensa a este processo.

Todos sabem que programas de mudanças estratégicas dependem de uma visão sistêmica do processo e do envolvimento de todos os atores do projeto.

Lamentavelmente, por aqui, o processo foi interrompido com a nova gestão. Eu não esperava isso já que o nosso novo prefeito é um catedrático, jovem e dinâmico. Mas, aconteceu. Ainda é cedo para sabermos o que vem pela frente. Mas lamento pela perda de um trabalho de tanta dedicação de tanta gente.

O artigo de que falei é este: 


Publicado em 29/10/2011

Mudanças causam stress.
Mudanças no ambiente de trabalho causam stress maior ainda.
Imaginem em organizações públicas, onde a estabilidade e os procedimentos padronizados pela legislação sempre foram inquestionáveis!
Mas não há mais volta.
As organizações públicas estão convivendo com um furacão de mudanças desde 2005 com a instituição do GESPÚBLICA .
Conceitos baseados em planejamento estratégico, gerenciamento de processos e desenvolvimento de pessoal, vem sendo adotados e com certeza vão mudar “ a cara” do serviço público, diminuindo sua tendência burocrática estagnante.
A alegações contra a aplicação desses conceitos partem do princípio de que a legislação causa entraves a algumas ações. Pode ser, mas a mudança também inclui alterações na legislação.
Outra dúvida é sobre a adaptação dos servidores públicos aos novos conceitos.
Mas isso é questão de informação e tempo, afinal, ninguém pode ser contrário à melhoria nas rotinas de trabalho e à definição de tarefas.
Entre todas as mudanças, em minha opinião, a mais urgente é criar mecanismos que garantam benefícios e melhorias de toda ordem com base na meritocracia.
E meritocracia aplicada a funcionários de carreira.
Esta medida reduziria em muito os gastos públicos com folha de pagamento e estimularia os servidores a dedicar-se ao auto desenvolvimento.

Patrícia Maria Mendonça