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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

2014. Como será?

O ano começou. Se bem que a gente sabe que normalmente as coisas só acontecem no Brasil depois do carnaval. Mas este ano acredito que será diferente.

Como será?




Vão me chamar de pessimista. Pode ser, mas não consigo ser otimista em relação ao país nos próximos meses não. E não me venham dizer que estou torcendo contra. Não! quero o melhor para o país e para nosso povo, mas não vejo indícios de mudanças positivas, ao contrário!

As coisas começaram a mudar lá no governo FHC com o controle da inflação e a criação de programas sociais para a diminuição da pobreza e o incentivo à educação. Os tais programas evoluíram durante o governo Lula que manteve os benefícios e vem sendo ampliados na atual gestão. 

Os resultados divulgados insistentemente apontam para um crescimento das classes D e E e o aumento do emprego formal.

O que ninguém fala, por exemplo, é que o emprego formal citado, paga salários irrisórios. Vejo jovens recém saídos (ou nem tanto) da graduação  vibrando com salários de R$1.200,00 , R$1.500,00.

Será que ninguém compara esses salários ridículos com os que pagamos aos nossos parlamentares?

No que se refere às classes ascendentes, os dados são baseados no aumento do poder de consumo. Poder consumir é bom demais, mas não como vem acontecendo, através da adesão ao crédito tornado fácil nos últimos 6, 7 anos!

Uma ascensão verdadeira seria baseada no aumento de patrimônio sem o aumento das dívidas! 

Citam ainda como indício da melhora, o número de estudantes universitários. Mas será que as pessoas realmente acreditam que estudar em cursos de péssima qualidade melhora alguma coisa? Colabora com o crescimento do país? 

E tem a atordoada classe média (a C) numa corda bamba diária.

O assunto é complexo e enfadonho. É coisa prá especialistas. Falo apenas pela experiência do que vi e vivi no último meio século.

Não adianta, temos que admitir que estamos a meio passo do fim do ciclo de crescimento! E seu esgotamento veio com o investimento em consumo no lugar da produtividade.

Produtividade essa que também fica prejudicada pela falta de mão de obra qualificada. Trabalhador sem preparo produz menos, produz errado....

E não são apenas os cursos técnicos que são lançados por aí que vão resolver o problema! Ensino técnico deveria ser sempre uma complementação a uma formação de boa qualidade. Técnicos que aprendem a usar uma máquina, executar determinadas funções sem uma boa base de conhecimento "geral", nunca serão grandes colaboradores por mais esforçados que sejam!

E é nesse cenário que vemos impedido nosso tão desejado salto tecnológico.

Com uma população embriagada com os benefícios do aumento (?) de renda, assistimos ao crescimento do consumo de importados, já que o câmbio há muito vem sendo controlado na marra, a consequência não poderia ser outra senão o prejuízo da indústria nacional.

E 2014, tem dois fatores agravantes para uma deficiência e riscos maiores do que o normal: eleições e copa do mundo.

A copa, vai hipnotizar (e conter) grande parte da população por um bom tempo. E sabemos bem como funciona isso: enquanto prestamos atenção ao circo (carnaval anualmente, por ex) "eles" aprontam todas! Quando acordamos, já não tem mais jeito.

Pior. A copa vai dar uma ideia de crescimento já que comércio e serviços vão ter ganhos altos. Mas ela vai acabar. E o dinheiro em circulação se não puder ser usado de forma adequada vai trazer prejuízos a todos.Teremos que ficar atentos e não nos deixarmos iludir com o que ganharemos neste período. Porque, por conta das eleições, esse "ganho" vai ser usado como indício de crescimento, mas não é. Acabou a copa, acabam com ela os empregos temporários, os compradores de bugigangas em geral e a alegria ofuscante.

Também será um ano de falsos dossiês, de bem sucedidas operações da PF e tudo nos parecerá imutável quando o assunto for corrupção ou promessas eleitorais.

Lá no começo, disse que vão me chamar de pessimista. Vão chamar novamente porque só acredito na possibilidade de alguma mudança caso surjam novas opções eleitorais. E elas não surgirão. Não há mais tempo para isso. 

E não vou nem pensar em considerar aqui o instável cenário mundial! Ele nos atinge sim, não há dúvidas quanto a isso.

O que posso registrar é que enquanto estivermos atentos à copa do mundo e aos discursos de políticos orientados por marqueteiros, o mundo continuará a girar. O uso equivocado do crédito estará a mil, formandos vitimados pelo analfabetismo funcional deixarão as faculdades, empresários e industriais terão problemas para manter a produção, o setor de serviços vai se debater com a desqualificação de seus empregados, o valor das moedas estrangeiras vão nos pressionar cada vez mais e os juros, ah os juros! continuarão a nos espremer contra a parede.

Tomara que desta vez seja diferente. Tomara que os protestos históricos de 2013 tenham nos ensinado algo. Tomara que estejamos mais atentos.

2014, como será? 

3 comentários:

  1. Patricia
    Uma bela reflexão para este início de ano. Comparando com tanta gente ruim (incluindo ) políticos que percebem salários e ajudas milionárias, o jovem para ele no momento ao se colocar no emprego, qualquer salário é bom, pois para quem nada recebe... mas estamos realmente abusando de nossos jovens e devemos como nação apresentar mais condições e incentivo ao jovem para que possa se estimular para o bem e a cultura quanto mais possível.
    Não sei se realmente os protestos valeram para alguma coisa. Tudo se acomodou e nada de concreto se apresentou ou permaneceu, (faz mais barulho e preocupa os rolezinhos) porque se da corda como uma nova ordem cultural.
    Parabéns pelo seu texto e que nos faz refletir, mas é o jovem que precisa saber o que quer e nossos empresários e aqueles que produzem empregos, que sejam mais acessível com nosso jovem em geral.
    Adalberto Day cientista social e pesquisador da história em Blumenau.

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  2. 18 milhões de brasileiros aptos ao trabalho estão ociosos, meu anjo! Uma tragédia! Você está certíssima!

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  3. Bom Dia Patricia!
    Grande realidade, vamos ter muitas informações do governo, completamente fora da realidade, principalmente na área do agronegócios. As mudanças climáticas confirma a quebra de 15% a 18% na safra de 2014.
    Abraço Fraternal.

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